FUNDAÇÃO MALCOLM LOWRY

FUNDAÇÃO MALCOLM LOWRY

Este blogue foi criado com o intuito de unir a comunidade lowryana de todo o mundo, a fim de trocar ideias e informação sobre o autor, promover a organização de conferências, colóquios e outras actividades relacionadas com a promoção da sua obra. Este é o primeiro sítio trilingue feito no México sobre o tema. Cuernavaca, México.


Malcolm Lowry Foundation


This blog was created to comunicate all lowry scholars, fans and enthusiastics from around the world in order to promote the interchange of materials and information about the writer as well as organize events such as lectures, colloquiums and other activities related to the work of the author. Cuernavaca, Mexico.


FONDATION MALCOLM LOWRY

Ce blog a été crée dans le but de rapprocher la communauté lowryenne du monde entier afin de pouvoir échanger des idées et des informations sur l'auteur ainsi que promouvoir et organiser des conférences, colloques et autres activités en relation avec son oeuvre. Cuernavaca, Morelos, Mexique.

domingo, 24 de abril de 2011

DEBAIXO DO VULCÃO

Alguém atirou um cão
morto às profundidades
Malcolm Lowry

I
Malcolm
Lowry: vivo
mal como Lowry,
bebo
bem como Mal-
colm, como
mal como
Malcolm
come:
álcool
Malcolm, al
coolm.
Ó
alcolmalcolm

II
Ó frígida
tequilla
no sopé do vulcão
por onde
o vulnerável cão
do espírito
ladra
e lavra
a essência
recôndita
do álcool:
conte-a
a bebidíssima
exigência

III
do meu
último copo,
sempre o último,
cante-a
o ex-tinto
vulcão
e por instinto
o vulnerável
cão,
ou plante-a
o próprio Lowry,
frágil,
entre lava
e neve:

IV
tépido mescal
para inventar
a mescaligrafia
gémea do som
ou da sombria
pauta musical
onde as notas florescem
em breves,
compactas corolas,
e hastes
que sobem, descem
esguiamente
os degraus
dum jardim,

V
enquanto
os índios passam
depressa
mas de pedra,
ficam
antepondo-se
ao norte
que fabrica
os países
com vidro,
com vinho, com visões
de videiras vitais
debaixo
do vulcão,

VI
ó tépida tequilla,
existe ainda
o amor
e o vulnerável cão
do espírito
que lavra
cada palavra
oculta
por pudor
e a ladra
inutilmente
dentro
da garganta
vazia,

VII
frígido mescal
como um galope
na floresta
de vinho e vidro,
filtro
litro a litro,
animal,
animais,
e mais e só
o dorido espírito
do álcool,
Malcolm,
entre neve
e lava:

VIII
os índios passam,
bebo, ficam,
na sombria
pauta musical,
e o vulnerável cão
do amor
sossega pelo menos
um instante,
enquanto
os índios
sobem, descem
esguiamente
os degraus das pirâmides.

Carlos de Oliveira in Micropaisagem, 1968.

Escritor português, nasceu em Belém do Pará (Brasil) a 10 de Agosto de 1921. Depois de a família regressar a Portugal, vai estudar para Coimbra, em cuja universidade estuda Ciências Histórico-Filosóficas. Nesta cidade estabelece amizade e convívio intelectual e ideológico com Joaquim Namorado, Fernando Namora ou João José Cochofel, também estudantes, que viriam a ser escritores com grande reconhecimento. Tendo por base um olhar neo-realista, combina uma preocupação de intervenção social com um apurado exercício reflexivo do processo da escrita. As suas obras mais conhecidas são Uma abelha na chuva e Finisterra. A sua obra poética está reunida sob o título Trabalho poético. Morreu em Lisboa no dia 1 de Julho de 1981.

Carlos de Oliveira es un escritor portugués nacido en Belém do Pará, Brasil, el 10 de agosto de 1921. Cuando su familia regresó a Portugal fue a Coimbra en cuya Universidad estudió ciencias histórico-filosóficas. Allí estableció amistad y relación intelectual con Joaquim Namorado, Fernando Namora y João José Cochofel, que también eran estudiantes y que llegarían a ser escritores muy reconocidos. Teniendo por base una mirada neo-realista, combina su preocupación de cambio social con un fino ejercicio reflexivo del proceso de escritura. Sus obras más conocidas son Uma abelha na chuva y Finisterra. Su obra poética está reunida bajo el titulo Trabalho poético. Murió en Lisboa el 1 de julio de 1981.

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