FUNDAÇÃO MALCOLM LOWRY

FUNDAÇÃO MALCOLM LOWRY

Este blogue foi criado com o intuito de unir a comunidade lowryana de todo o mundo, a fim de trocar ideias e informação sobre o autor, promover a organização de conferências, colóquios e outras actividades relacionadas com a promoção da sua obra. Este é o primeiro sítio trilingue feito no México sobre o tema. Cuernavaca, México.


Malcolm Lowry Foundation


This blog was created to comunicate all lowry scholars, fans and enthusiastics from around the world in order to promote the interchange of materials and information about the writer as well as organize events such as lectures, colloquiums and other activities related to the work of the author. Cuernavaca, Mexico.


FONDATION MALCOLM LOWRY

Ce blog a été crée dans le but de rapprocher la communauté lowryenne du monde entier afin de pouvoir échanger des idées et des informations sur l'auteur ainsi que promouvoir et organiser des conférences, colloques et autres activités en relation avec son oeuvre. Cuernavaca, Morelos, Mexique.


miércoles, 23 de septiembre de 2015

Malcolm Lowry e Portugal

Com excepção da sua breve passagem por Lisboa no final de Maio de 1933 a caminho de Inglaterra, não se conhece outra relação de Malcolm Lowry ou da sua obra com Portugal. Esta circunstância não constitui, no entanto, motivo para, quase 55 anos depois da publicação no nosso país de Debaixo do Vulcão, a edição de uma das obras-primas la literatura mundial não continuar a ser motivo de regozijo e também renovado pretexto para revisitar Malcolm Lowry e empreender uma breve revisitação à passagem deste autor por Lisboa.
MALCOLM LOWRY EM GRANADA…
Na Primavera de 1933, Lowry vai com Conrad Aiken (escritor norte-americano, seu ídolo e tutor) e a mulher deste passar umas férias a Espanha, país que estava a viver então a Segunda República e no qual não eram ainda visíveis os sinais que três anos depois levariam à Guerra Civil, magistralmente abordada em Debaixo do Vulcão. Em Granada, a aguardente não deixou de seduzir Lowry, talvez em demasia, o que o levou a ter problemas com a Guardia Civil andaluza e a fazer crescer a vontade de Aiken em reenviar o jovem para Inglaterra.
Pensão Villa Carmona, em Granada, onde Malcolm Lowry ficou hospedado e conheceu Jan Gabrial.


No dia 19 de Maio, Lowry conhece Janine Vanderheim, com quem casará poucos meses depois. Jan era uma bela jornalista norte-americana que estava de férias em Granada (também Yvonne e Geoffrey se conhecerão nesta cidade), vai a caminho de Paris com um amigo francês, delicia-se com o escritor mas resiste-lhe, levando Malcolm a procurar um amigo na bebida e continuando a testar a paciência das autoridades espanholas.

No regresso a casa, Lowry embarca no Strathaird, navio da companhia P&O que fazia a carreira da Austrália, no qual partilha uma cabina com três ingleses «saídos de um romance de Somerseth Maugham», que, vindos da Índia, regressavam à pátria. No ano seguinte, este barco ficará associado ao nome de Egon Kisch, jornalista checo antinazi, que para evitar ser expulso da Austrália, à saída de Melbourne saltou do Strathaird tendo partido uma perna. Poucos anos depois, integrando as Brigadas Internacionais, Kisch estará a combater na Guerra Civil de Espanha ao lado das tropas antifranquistas, como Hugh Firmin, o meio-irmão do cônsul.
… E EM LISBOA
Regressando a Malcolm Lowry, sabemos que apanhou um comboio até Algeciras, tendo embarcado no Strathaird em Gibraltar no dia 29 de Maio, data em que aquele navio continua a sua rota para Inglaterra e que levará o escritor a terras lusitanas.
O navio Strathaird.
Durante muito tempo subsistiu a dúvida sobre o dia exacto em que Malcolm Lowry chegou a Lisboa – na realidade, segundo as biografias dedicadas ao autor de Debaixo do Vulcão, não terá sequer saído do navio. Fazendo uma pesquisa aos movimentos do intenso tráfego portuário da época (as ligações intercontinentais eram feitas por via marítima), cujas chegadas e partidas de paquetes eram amplamente noticiadas pela imprensa, não há registo da passagem do Strathaird por Lisboa.

Aliás, consultando o «Voyage Report Card» deste navio relativo aos meses de Maio e Junho de 1933, confirma-se a falta de referência à capital portuguesa. Tal ausência não surpreende, pois estamos em crer que a paragem terá sido apenas técnica, sem saída ou entrada de passageiros, razão pela qual não tem de constar naquele relatório. Segundo este documento, o Strathaird parte de Gibraltar no dia 29 de Maio e aporta em Plymouth no dia 1 de Junho – passando, naturalmente, por Lisboa.
«Voyage Report Card» do navio Strathaird referente aos meses de Maio e Junho de 1933.


A delimitação deste período de tempo de quatro dias (entre 29 e o dia 1) é fundamental para sabermos com rigor o dia exacto da passagem de Lowry por Lisboa. Se tomarmos em atenção a velocidade do navio e a distância entre Gibraltar e o porto no Sul de Inglaterra, não haverá nenhuma dúvida de que o dia de passagem de Lowry por Lisboa é o dia 30 de Maio de 1933.
Feira do Livro no Rossio, em Lisboa, nos anos 30.



É este o único contacto do escritor nascido em Warren Crest com o nosso país. Mas que Portugal é este que Malcolm Lowry (não) encontra? Em Março, é aprovada por plesbicito uma nova Constituição (em que as abstenções são contadas como votos a favor), que entra em vigor no mês seguinte e que perdurará até ao dia 25 de Abril de 1974, quando uma revolução põe fim a uma ditadura de 48 anos. António de Oliveira Salazar é nomeado presidente do Conselho e governará o país até cair de uma cadeira em 1968, sucedendo-lhe Marcelo Caetano, que continuará a governar em ditadura. A censura é estabelecida para as publicações; é criada a PVDE-Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, polícia política que exercerá uma forte acção repressiva sobre os combatentes antifascistas, sobretudo nas inúmeras manifestações que, de norte a sul do país, têm lugar contra o Governo fascista. Fernando Pessoa publica «Tabacaria» na revista Presença, e Pierre Hourcade (lusófilo ilustre, professor na Universidade de Coimbra e futuro director do Institut Français au Portugal) traduz para francês alguns poemas do autor de «Ode Triunfal». Em Lisboa, o filme M – Matou está em exibição. Tem como protagonista Peter Lorré, que actuará depois em Las Manos de Orlac – e não deixará Geoffrey Firmin dormir em paz. Na Europa, as nuvens vão gradualmente ficando mais negras. Na Alemanha, Hitler ascende a chanceler e em breve (como o Japão) abandonará a Sociedade das Nações; em Espanha, Primo de Rivera cria a Falange.
A PUBLICAÇÃO DE DEBAIXO DO VULCÃO EM 1961
Em 1961, catorze anos depois da sua edição nos Estados Unidos e em Inglaterra, é publicado em Portugal Debaixo do Vulcão. A situação no nosso país Portugal não mudara muito e este seria o annus horribilis do ditador Salazar. A ditadura continua firme, as eleições fraudulentas haviam continuado a perpetuar a União Nacional no poder, mas o descontentamento popular e as formas de combate ao regime farão sentir-se e agravar-se-ão ao longo de todo o ano.
Ficha de Debaixo do Vulcão no catálogo da Biblioteca Nacional de Portugal.



No dia 4 de Janeiro, uma rebelião de camponeses (Revolta da Baixa do Cassange) contra o consórcio luso-belga Cotonang é reprimida com violência pelas autoridades, fazendo centenas (ou milhares) de vítimas e iniciando, assim, a Guerra Colonial em Angola. Poucos dias depois, Henrique Galvão, antigo delfim de Salazar, sequestra o paquete Santa Maria nas Caraíbas, levando o barco até ao Brasil perante o olhar incrédulo do ditador e despertando o mundo para a realidade política portuguesa. Em Março, a Libéria apresenta uma queixa contra Portugal nas Nações Unidas, o que levará à aprovação de uma moção a condenar a situação em Angola e de outra a favor da sua autodeterminação. No mês seguinte, o general Botelho Moniz promove uma tentativa de golpe de Estado (A «Abrilada»). Em Novembro, o Super Constellation da TAP que fazia a ligação entre Casablanca e Lisboa é desviado por um comando armado («Operação Vagô») e distribui folhetos subversivos sobre várias cidades, incluindo a capital do país. Para finalizar o ano da pior maneira, a União Indiana ataca os últimos territórios portugueses no Oriente: Portugal perde as cidades de Diu e Damão e o estado de Goa, colocando ponto final a uma presença imperial que tem quase quinhentos anos.
A Avenida da Liberdade, em Lisboa, durante os anos 60.



A edição do romance de Malcolm Lowry não suscitou grande interesse por parte do público, motivando apenas um diminuto grupo de leitores que lia Debaixo do Vulcão em pequenas tertúlias. Traduzido por Virgínia Motta, tem 388 páginas e a publicação é da responsabilidade da Livros do Brasil, editora surgida em 1944. Este livro integrará a colecção «Dois Mundos», dedicada à literatura universal, na qual constam nomes como André Malraux, Albert Camus, Aldous Huxley, Ernest Hemingway, Franz Kafka, John Steinbeck, Pearl S. Buck ou William Faulkner, entre muitos outros de reconhecimento mundial. Nesta colecção seria ainda publicado o romance Ultramarina, em 1986, com tradução de Fernanda Pinto Rodrigues.
A OBRA DE MALCOLM LOWRY EM PORTUGAL
A publicação das restantes obras de Malcolm Lowry estará dispersa por distintas editoras: Escuro como o Túmulo Onde Jaz o Meu Amigo (Dark as The Grave Wherein My Friend is Laid) foi editado pelas Publicações Europa-América, em 1973, com tradução de Carmen González. Ouve-nos Senhor do Céu que é Tua Morada (Hear Us O Lord From They Dwelling Place) é editado em 1976 pelas Iniciativas Editoriais, com tradução de Ana Hatherly. Lunar Caustic foi traduzido por Aníbal Fernandes e publicado pela Assírio & Alvim em 1985. O mesmo tradutor será responsável pelo texto em português de Ghostkeeper (novela que integrara Psalms and Songs), publicado em 1988 pela Hiena, editora também responsável por Por Cima do Vulcão (1991), com tradução de Augusto T. Dias. No ano seguinte, a Estampa publicará a obra O Barco de Outubro para Gabriola (October Ferry to Gabriola), traduzida por Maria José Figueiredo. Anna Hatherly traduzirá ainda Através do Canal do Panamá (Through the Panama), que será publicado pela Relógio d’Água (editora que em 2007 reeditará Debaixo do Vulcão, com tradução revista). Um ano depois, José Agostinho Baptista traduz um conjunto de poemas – As Cantinas E Outros Poemas do Mar e Do Álcool.
A edição portuguesa de 1961.
A edição portuguesa de 2007.


 
OS TRIBUTOS A LOWRY
Se Debaixo do Vulcão não suscitou, como referimos, grande interesse quando foi publicado em Portugal, não deixou de chamar a atenção e de entusiasmar alguns escritores. Carlos de Oliveira não o esconde, prestando-lhe homenagem com o poema «Debaixo do Vulcão», publicado em Micropaisagem em 1968, e passando o entusiasmo a outro grande escritor – Baptista-Bastos. O poeta Manuel Gusmão é outro admirador da obra, tal como Herberto Helder, que «mudará» alguns poemas para português, e Al Berto, que na edição do Diário de Notícias de 13 de Janeiro de 1985 dedicará a Malcolm Lowry cinco «cartas inúteis» e evocá-lo-á, anos mais tarde, em 1993, em O Anjo Mudo.

Outro grande poeta, José Agostinho Baptista, editará Debaixo do Azul sobre o Vulcão, texto de grande intensidade que percorre o México (país de eleição deste poeta, que, por medo de viajar de avião, nunca conheceu) e que retoma alguns dos ambientes e das personagens de Debaixo do Vulcão. Em 2000, Manuel de Freitas presta igualmente um tributo a Lowry com "Todos contentes e eu também" (nome de uma cantina em Tomalín – final do capítulo IX de Debaixo do Vulcão –, que, além de evocar o escritor inglês na epígrafe, contém os poemas «El Farolito» e «Gusano Rojo», nome de uma das incontáveis bebidas que o cônsul bebe ao longo do romance. No ano seguinte, a homenagem continuará no seu novo livro (Os Paraísos Artificiais), através dos poemas «Gloomy Sunday» e «Whiskey on a Sunday». Debaixo do Vulcão é ainda uma das obras favoritas do escritor Mário de Carvalho (considera Geoffrey Firmin uma das mais extraordinárias personagens da História da Literatura) e da crítica literária Ana Cristina Leonardo, que na edição do semanário Expresso de 19 de Agosto de 2012 considera ser um dos livros a levar para uma ilha deserta, apesar de ser a sua leitura, adverte, «contraindicada a todos os que buscam amenidade, conforto, repouso ou divertissement».
Carlos de Oliveira.
José Agostinho Baptista.


 
O ROMANCE DEBAIXO DO VULCÃO EM 2015
Depois de estar incluído em várias listas semelhantes, Debaixo do Vulcão integra com justiça e por direito próprio a lista dos melhores romances de sempre elaborada em Agosto de 2015 pelo jornal britânico The Guardian.

Quase setenta anos após a publicação de Debaixo do Vulcão, a actualidade do romance mantém-se incólume ao pó dos dias, compreendendo-se desta forma a incessante conquista de leitores em todo o mundo. Portugal não constitui excepção, para nosso infinito contentamento e para enorme regozijo dos amantes da Literatura. Cinquenta e quatro anos após a publicação de Debaixo do Vulcão em Portugal, está igualmente bem vivo no nosso país o génio de Malcolm Lowry.

No Norte de Inglaterra, onde repousa o corpo do profeta, ou em Omeyocan, onde jazem os amantes Yvonne e Geoffrey, os deuses não abandonam os seus entes mais queridos!
     Marcelo Teixeira
Lisboa, 6 de Setembro de 2015
Malcolm Lowry y Portugal

Con excepción de su breve paso por Lisboa a finales de mayo de 1933 cuando se dirigía a Inglaterra, no se conoce otra relación de Malcolm Lowry o de su obra con Portugal. Esta circunstancia no constituye, sin embargo, motivo —casi 55 años después de la publicación de Bajo el volcán en nuestro país, una de las obras maestras de la literatura universal— para no continuar siendo razón de regocijo y también de renovado pretexto para volver a Malcolm Lowry y llevar a cabo una breve revisión de su huella en Lisboa.

Malcolm Lowry en Granada…
En la primavera de 1933, Lowry va con Conrad Aiken —escritor estadounidense, su ídolo y mentor— y la esposa de éste a pasar unas vacaciones en España, un país que entonces vivía la Segunda República y donde no eran visibles todavía los signos que tres años más tarde darían lugar a la Guerra Civil, magistralmente abordada en Bajo el volcán. En Granada, el aguardiente no dejó de seducir a Lowry, tal vez demasiado, lo que le llevó a tener problemas con la Guardia Civil Andaluza y a dar razones a Aiken para enviar al joven a Inglaterra.
El 19 de mayo, Lowry conoce a Janine Vanderheim, con quien se casará pocos meses después. Jan era una hermosa periodista estadounidense que estaba de vacaciones en Granada —también Yvonne y Geoffrey se conocieron en esa ciudad— e iba en camino a París con un amigo francés, quedó encantada con el escritor, pero se mantuvo apartada, lo que llevó a Malcolm a beber más y a seguir poniendo a prueba la paciencia de las autoridades españolas.

Para volver a casa, Lowry se embarcó en el Strathaird, barco de la compañía P&O que hacía el viaje desde Australia, donde compartió una cabina con tres ingleses “salidos de una novela de Somerseth Maugham” que venían de la India de regreso a su patria. Al año siguiente, este barco será asociado a Egon Kisch, periodista checo anti-nazi, que para evitar ser expulsado de Australia, a la salida de Melbourne, saltó del Strathaird y se rompió una pierna. Pocos años después, integrado a las Brigadas Internacionales, Kisch luchará en la Guerra Civil española al lado de las tropas antifranquistas, como Hugh Firmin, el medio hermano del cónsul.

…y en Lisboa
Regresando a Malcolm Lowry, sabemos que tomó un tren hasta Algeciras, y luego embarcó en el Strathaird en Gibraltar el día 29 de Mayo, fecha en que ese barco continuó su ruta a Inglaterra  llevando al escritor a tierras lusitanas.

Durante mucho tiempo subsistió la duda sobre el día exacto en que Malcolm Lowry llegó a Lisboa, de hecho, de acuerdo con las biografías dedicadas al autor de Bajo el volcán, no bajó del barco. Haciendo una investigación sobre los movimientos del intenso tráfico portuario de la época —las conexiones intercontinentales se hacían por mar—, cuyas entradas y salidas de embarcos eran ampliamente reportadas por la prensa, no hay constancia del paso del Strathaird por Lisboa.

Por cierto, consultando la “Carta de Viaje” de este navío durante Mayo y Junio de 1933, se confirma la falta de referencia a la capital portuguesa. Esta ausencia no es de extrañar, pues creemos que la parada era sólo técnica, sin entrada ni salida de pasajeros, razón por la cual no aparece en el itinerario. Según este documento, el Strathaird sale de Gibraltar el 29 de Mayo y llega a Plymouth el 1 de Junio, pasando, por supuesto, por Lisboa.

Este período de cuatro días (entre el 29 de Mayo y el 1 de Junio) es esencial para saber con certeza el día exacto del pasaje de Lowry por Lisboa. Si tenemos en cuenta la velocidad del barco y la distancia entre Gibraltar y el puerto del sur de Inglaterra, no hay ninguna duda de que el día que Lowry pasa por Lisboa es el día 30 de Mayo 1933.

Este es el único contacto del escritor nacido en Warren Crest con nuestro país. Pero ¿qué Portugal es éste que Malcolm Lowry (no) encuentra? En marzo, se aprobó, por plebiscito, una nueva Constitución —las abstenciones se contaron como votos a favor—, que entró en vigor al siguiente mes y que estuvo vigente hasta el 25 de Abril de 1974, cuando una revolución puso fin a una dictadura de 48 años. Antonio de Oliveira Salazar fue nombrado Presidente y gobernó el país hasta su caída en 1968, le sucedió Marcelo Caetano, que continuó la dictadura. Se estableció la censura para las publicaciones; se creó la PVDE —Policía de Vigilancia y Seguridad del Estado—, la policía política que ejerció una fuerte acción represiva contra los combatientes antifascistas, especialmente en las numerosas manifestaciones que del norte al sur del país se llevaron a cabo contra el gobierno fascista. Fernando Pessoa publicó “Tabacaria” en la revista Presença, y Pierre Hourcade (lusófilo ilustre, profesor de la Universidad de Coimbra y futuro director del Instituto Francés en Portugal) tradujo al francés algunos poemas del autor de “Ode Triunfal”. En Lisboa, la película M – Matou estaba exhibiéndose. Su protagonista es Peter Lorre, que más tarde actuará en Las manos de Orlac y no va a dejar dormir en paz a Geoffrey Firmin. En Europa, las nubes se van haciendo gradualmente más negras. En Alemania, Hitler asciende a Canciller y pronto (como Japón) Alemania sale de la Liga de las Naciones; en España, Primo de Rivera crea la Falange.

La publicación de Bajo el volcán en 1961
En 1961, catorce años después de su publicación en los Estados Unidos e Inglaterra, se publicó en Portugal, Bajo el volcán. La situación en Portugal no había cambiado mucho y éste sería un annus horribilis del dictador Salazar. La dictadura se mantuvo firme, las elecciones fraudulentas siguieron manteniendo a la Unión Nacional en el poder, pero el descontento popular y el combate al régimen empeoró durante todo el año.

El 4 de enero, una rebelión de campesinos —Revolta da Baixa do Cassange— contra el consorcio luso-belga Cotonang es reprimida violentamente por las autoridades, dejando cientos (o miles) de víctimas y dando así inicio a la guerra colonial en Angola. Pocos días después, Henrique Galvão, antiguo “delfín” de Salazar, secuestra el buque Santa María en el Caribe y lleva el barco a Brasil ante la mirada incrédula del dictador, dando a conocer así al mundo la realidad política portuguesa. En marzo, Liberia presenta una queja contra Portugal ante las Naciones Unidas, lo que dará lugar a la adopción de una moción para condenar la situación en Angola y otra en favor de su autodeterminación. Al mes siguiente, el general Botelho Moniz promueve un intento de golpe de estado —la “Abrilada”—. En noviembre, el Super Constellation de TAP, que hacía la conexión entre Casablanca y Lisboa, es desviado por un comando armado —“Operação Vagô”— y desde ese avión se distribuyen panfletos subversivos, sobre varias ciudades, incluida la capital. Para terminar el año de la peor manera, la União Indiana ataca los últimos territorios portugueses en el Extremo Oriente: Portugal pierde las ciudades de Diu y Damán y el estado de Goa, poniendo fin a una presencia imperial de casi quinientos años.

La edición de la novela de Malcolm Lowry no suscitó gran interés, motivando sólo a un pequeño grupo de lectores que leían Bajo el volcán en pequeñas reuniones. Traducida por Virginia Motta, tiene 388 páginas y la publicación es responsabilidad de Livros do Brasil, editorial fundada en 1944. Este libro se integró a la colección “Dois Mundos”, dedicada a la literatura universal, que incluía nombres como André Malraux, Albert Camus, Aldous Huxley, Ernest Hemingway, Franz Kafka, John Steinbeck, Pearl S. Buck y William Faulkner, entre muchos otros de reconocimiento mundial. En esta colección también sería publicada la novela Ultramarina, en 1986, con traducción de Fernanda Pinto Rodrigues.

La obra de Malcolm Lowry en Portugal
La publicación de las restantes obras de Malcolm Lowry está dispersa en otras editoriales: Escuro como o Túmulo Onde Jaz o Meu Amigo —Dark as The Grave Wherein My Friend is Laid— fue editado por Publicações Europa-América, en 1973, con traducción de Carmen González. Ouve-nos Senhor do Céu que é Tua Morada —Hear Us O Lord From They Dwelling Place— está editado en 1976 por Iniciativas Editoriais, con traducción de Ana Hatherly. Lunar Caustic fue traducida por Aníbal Fernandes y publicada por Assírio & Alvim, en 1985. El mismo traductor será responsable del texto en portugués de Ghostkeeper —novela que integrará Psalms and Songs —, publicado en 1988 por Hiena, editorial que será también responsable de Por Cima do Vulcão (1991), con traducción de Augusto T. Dias. Al año siguiente, Estampa publicará O Barco de Outubro para Gabriola —October Ferry to Gabriola—, traducido por Maria José Figueiredo. Anna Hatherly traducirá también Através do Canal do Panamá —Through the Panama—, que será publicado por Relógio d’Água —Editorial que en 2007 reeditará Debaixo do Vulcão, con traducción revisada—. Un año más tarde, José Agostinho Baptista tradujo un conjunto de poemas: As Cantinas E Outros Poemas do Mar e Do Álcool.

Los homenajes a Lowry
Bajo el volcán no suscitó, como mencionamos, gran interés cuando se publicó en Portugal, pero no dejó de llamar la atención y emocionar a algunos escritores. Carlos de Oliveira no lo oculta, y le brinda un homenaje con su poema “Debaixo do Vulcão”, publicado en Micropaisagem en 1968, y entusiasmando a otro gran escritor: Baptista-Bastos. El poeta Manuel Gusmao es otro admirador de la obra, así como Herberto Helder, que traducirá algunos poemas al portugués, y Al Berto, que en la edición del Diário de Notícias del 13 de enero 1985 dedicará a Malcolm Lowry cinco “cartas inúteis” y lo evocará, años más tarde, en 1993, en O Anjo Mudo.

Otro gran poeta, José Agostinho Baptista, editará Debaixo do Azul sobre o Vulcão, texto de gran intensidad que transita México —país favorito de este poeta, que, por miedo a volar, nunca conoció— y que retoma algunos de los ambientes y personajes de Bajo el Volcán. En 2000, Manuel de Freitas rinde también un tributo a Lowry con "Todos contentes e eu também" —nombre de una cantina en Tomalín al final del capítulo IX de Bajo el volcán— que, además de evocar al escritor Inglés en el epígrafe, contiene los poemas “El Farolito” y “Gusano Rojo”, nombre de una de las innumerables bebidas que toma el Cónsul en la novela. Al año siguiente, el homenaje continuará con su nuevo libro Os Paraísos Artificiais, con los poemas “Gloomy Sunday” y “Whisky on a Sunday”. Bajo el volcán sigue siendo una de las obras favoritas del escritor Mário de Carvalho —quien considera a Geoffrey Firmin como uno de los personajes más extraordinarios de la historia de la literatura— y de la crítica literaria Ana Cristina Leonardo que, en la edición del semanario Expresso del 19 de agosto de 2012, la considera una de las obras para llevar a una isla desierta, a pesar de que su lectura, advierte, está “contraindicada para aquellos que buscan amenidad, comodidad o diversión”.

La novela Bajo el volcán en 2015
Después de estar incluida en varias listas similares, Bajo el Volcán forma parte, con justicia y derecho propio, de la lista de las mejores novelas que elaboró en agosto de 2015 el periódico británico The Guardian.

Casi setenta años después de la publicación de Bajo el volcán, la actualidad de la novela se mantiene intacta entre el polvo de los días, cumpliéndose de esta manera la incesante conquista de lectores en todo el mundo. Portugal no es la excepción, para nuestra alegría y gran regocijo de los amantes de la literatura. Cincuenta y cuatro años después de la publicación de Bajo el volcán en Portugal, está igualmente vivo en nuestro país el genio de Malcolm Lowry.

En el norte de Inglaterra, donde descansa el cuerpo del profeta o en Omeyocan donde reposan los amantes Yvonne y Geoffrey, ¡los dioses no abandonan a sus seres queridos!
Marcelo Teixeira
Lisboa, 6 de septiembre de 2015
(Traducción de Félix García)

domingo, 20 de septiembre de 2015

Carta a Jonathan Cape


A finales de 1945 Margerie y Malcolm llegaron a México, él quería que ella conociera los lugares que eran el escenario de la novela mientras esperaban una respuesta de Jonathan Cape, su editor inglés. En Cuernavaca, les tocó un eclipse total de luna que convirtió “el inmenso cielo nocturno de zafiro en una especie de blanco océano de lana”, visitaron el Palacio de Cortés, los Jardines Borda, nadaron en la alberca de la casa de Laruelle y pasaron mucho tiempo vigilando el buzón. Finalmente, en la víspera de año nuevo, llegó una carta. Era de Cape y estaba fechada el 29 de Noviembre de 1945. Cape decía en la carta que él, junto con dos de sus lectores, habían leído cuidadosamente Bajo el volcán y que incluía el dictamen de uno de sus lectores, que parecía “cristalizar muy efectiva y exactamente” lo que pensaban los tres sobre la novela. El dictamen pedía revisiones. Cape no decía que no publicaría la novela si no se efectuaba una revisión más, pero garantizaba la publicación si Lowry revisaba una vez más el libro. “Sentimos que el libro tiene integridad e importancia, pero sería una lástima que apareciera como está, porque creemos que las modificaciones contribuirían enormemente a su aceptación y al mismo tiempo creemos que la novela mejoraría considerablemente en un sentido estético”.

Ahora sabemos que Bajo el volcán tiene dos tipos de lector: los entusiastas y los indiferentes. El lector de Cape no era de los entusiasmados. Escribe un breve resumen de la trama: “Es una novela, pero de situaciones más que de acción. La época es 1938, el lugar, México, y la acción, tal como es, transcurre en un solo día. La situación es que un inglés, Geoffrey Firmin, con un puesto de Cónsul en un pueblo mexicano, es un borracho perdido, divorciado de su esposa estadounidense, Yvonne. No ha dejado de añorarla, alcohólicamente; y ella se ha sentido obligada a volver a él, con la esperanza de reformarlo y empezar una nueva vida (la vida simple, en Columbia Británica). También está presente Hugh, el hermano menor de Geoffrey, una piedra rodante, comunista y atlético; y un descarriado francés, Jacques Laruelle, amigo de toda la vida de Geoffrey, que en el pasado se acostó con Yvonne. Todo lo que sucede es que Geoffrey, Hugh e Yvonne pasan el día de un lado para otro, suben a un camión, visitan una feria, etc. Hugh e Yvonne están juntos la mayor parte del tiempo, Geoffrey solo. Finalmente, lo pierden de vista, se mete en una cantina a beber y, al final, un fanático lo asesina”.

Toda esta situación, continúa el lector, está muy elaborada por 1). “recuerdos de la vida pasada de los personajes y pensamientos y emociones presentes y pasados”; 2). “color local mexicano acumulado a paletadas”; 3). “la fantasmagoría inspirada por el mezcal o por el delirium tremens que Geoffrey padece”. Al lector le parece que lo primero es “tedioso y poco convincente”; lo segundo, muy bien hecho; y lo tercero, aunque excitante, “muy extenso, irregular y elaborado”; y, lo que debió herir más a Lowry, evoca la reciente “novela y película: The Last Weekend”.

Así pues, el lector objeta el extenso y tedioso principio del libro, la poca fuerza de la caracterización y la excesiva extensión de la novela: “el libro es demasiado largo, sobre elaborado para su contenido, y podría ser mejor si sólo tuviese la mitad o las dos terceras partes de su extensión”. Concluye diciendo que “el autor se ha excedido más allá de sí mismo y es afecto a los excéntricos juegos de palabras y a un uso excesivo y carente de sentido del flujo de conciencia”.

Era un dictamen notable, pero condenaba exactamente lo que los defensores de Bajo el volcán han encontrado admirable. Lowry estaba frustrado, se le pedía que cortara su novela casi a la mitad y que eliminara lo que sentía era lo mejor. Pero tomó las cosas de la mejor manera posible: como un desafío. Valiente y serenamente, se sentó el 2 de enero de 1946 y empezó a escribir una resplandeciente, hábil y sufrida defensa de Bajo el volcán. No debió haber sido fácil, pero logró escribir una exégesis de treinta y un páginas que daba razones de porqué todo era como estaba y qué significaba y cuando la envió, el 15 de enero, era ya un documento único en la historia de la literatura.
 
 
Documento de trabajo del Maestro Raúl Ortiz y Ortiz - Facsimilar

viernes, 28 de agosto de 2015

La Máquina Infernal

La machine infernale se representó en Paris en 1934 ―Malcolm Lowry vio dos veces esta obra― y es la versión que Jean Cocteau hizo de la Tragedia de Edipo. Antes de que la obra comience, un “Fantome” habla a la audiencia sobre lo que va a suceder:
 
“Contempla, espectador, con la espalda tensa, la suerte con que el resorte se desenreda lentamente a lo largo de una vida humana, una de las máquinas más perfectas que hayan construido los dioses infernales para el aniquilamiento matemático de un mortal”.
 
Esta máquina infernal es el planeta, el universo mismo, un mecanismo de relojería perfectamente encajado, donde cada segundo tiene un claro propósito: el aniquilamiento matemático de los mortales.
 
Bajo el volcán es una alegoría de esta máquina infernal, una novela que cuenta minuciosamente la destrucción, bella y horriblemente cumplida, de Geoffrey Firmin, Cónsul en Quauhnáhuac. Geoffrey ha sido poeta, investigador, héroe y criminal de guerra ―ambas cosas a la vez― y aprendiz de brujo. Se siente atraído por la magia, la brujería, la Cábala. Alguna vez creyó tener poderes y abrigó la esperanza de ascender por el árbol sefirótico de la vida, pero la Cábala exige sobriedad y abstención alcohólica.
 
Geoffrey llegó con Yvonne y luego se quedó solo en México. Meses después, el 2 de noviembre de 1938, Yvonne, que había nacido en Hawai donde conoció sus primeros volcanes, regresó a Quauhnáhuac para intentar rehacer su matrimonio y reformar al Cónsul. Es entonces cuando el mecanismo de relojería engarzó todo con una alucinante eficacia poética y ambos mueren casi en el mismo momento.
 
Pero Bajo el volcán es mucho más si uno desea profundizar en ella. Es una especie de sinfonía, de ópera, o “una novela del oeste. Es música bailable, poema, canción, tragedia, comedia, farsa, etcétera. Es superficial, profunda, entretenida, aburrida, a gusto del lector. Es una profecía, una advertencia política, un criptograma, un film absurdo, un letrero en un muro. Puede considerarse también como una especie de máquina…” (carta a Jonathan Cape del 2 de enero de 1946).
 


viernes, 31 de julio de 2015

Cumpleaños de Malcolm

El pasado 28 de Julio celebramos un aniversario más del nacimiento de Malcolm Lowry (1909) y nada mejor para conmemorarlo que con unas palabras suyas. Se trata de una postal enviada desde Grasmere, Cumbria, Inglaterra, a su amigo David Markson el 15 de Junio de 1957. La postal, que es prácticamente lo último que escribió, tiene una vista en blanco y negro del Lago de Grasmere, que se parece mucho a lo que Lowry divisaba desde su cabaña en Dollarton, Canadá:
 
 
¿Dollarton? Esto pensábamos, pero es Grasmere, donde Wordsworth diseñó los peroles para la chimenea y donde se puede visitar la habitación (en la que estaba prohibido fumar) de De Quincey en la casa de De Quincey, conocida como "el cottage de Wordsworth", ya que lo fue durante cinco años, y donde uno puede entrar, previo pago de 1 libra y 6 peniques, todos los días excepto los domingos. ¿Cómo va Pie Hinchado el Tirano? Tu carta era melancólica, pero ¿no podrías usar como una fuerza esta misma incertidumbre que sientes hacia tu talento? O'Neill (fíjate en Viaje de un largo día hacia la noche) también pensaba que él no valía mucho como escritor. ¿Has leído a Isaak Babel? Deberías hacerlo. ¿Sabes los nombres de las estrellas, sabes qué pájaro vuela sobre tu cabeza y qué flor es la que se abre? Si no lo sabes, la angustia que produce no saberlo es un campo muy válido para el artista. Además, cuando uno aprende algo, es una buena cosa recuperar el estado de ignorancia original. Un cariñoso saludo para Elaine y para ti de
MARGIE Y MALC
 
 


lunes, 20 de julio de 2015

La casa de Lowry

 
 

Silenciosa y eclipsada la casa permanece, no importa la hora, allí está.
Sus goznes chirrían a la par que la melancólica cantata de los grillos.
El viento mece metódicamente los pensamientos.
El polvo acumulado en todos sus rincones hace surgir la imagen imprecisa de la muerte que ronda.
Nada se ha extinguido, la base en la que se creó Bajo el Volcán permanece ya que es imposible cortar el círculo de la eternidad.
El agua estancada empapa las fibras de la desolación y el aullido humano parece indicar que todo sigue igual, que el infierno proviene de uno mismo y que el alma inmortal se transmite de uno a otro ser.
En el reflejo permanece la idea, la terrible nostalgia no cesa de brotar.
El mismo manantial de fantasmas susurra detrás de nuestros oídos.
La misma vertiente de la nada, colmando el cerebro.
Malcolm Lowry está, se palpa y se siente en cada hilillo que las telarañas han formado, el espejo hecho añicos del cual hemos descendido.
Atrévete a tocarnos Malcolm Lowry, no te detengas, giramos en el mismo laberinto de ideas, persistimos en la misma necesidad.
Una voz, algo que ampare esta soledad, que jamás descubramos lo solos que estamos en este mundo.
Se escuchan sus latidos y sus pasos.
El torbellino de voces provenientes de la barranca.
La sed eternizada de los aullidos, las volátiles hojas de los árboles que caen mientras la casa permanece.
Sus muros humedecidos por las lágrimas.
El tambaleante eclipse de la muerte que ronda, expande sus alas…
Miriam Rubinsky
Cuernavaca, 1988
 
 
(Tomado de la secuencia de la casa de Lowry en Cuernavaca del documental Malcolm Lowry en México de Óscar Menéndez).
 


domingo, 5 de julio de 2015

Sur les traces de Malcolm Lowry

Je n’ai rien vu à Cuernavaca
Avatar IRL de la Quauhnahuac d’Au-dessous du volcan, Cuernavaca n’a plus rien, ou presque, du décor décadomorbide du chef-d’œuvre de Malcolm Lowry.

Salomé Kiner

 

Le 19 février 1947, après dix ans de péripéties et de réécriture, le deuxième roman de Malcolm Lowry est simultanément publié à New York et à Londres. Il connaît un succès immédiat: dix jours après sa sortie, le roman est réimprimé pour la troisième fois. D’emblée, on le classe parmi les grandes œuvres littéraires de ce XXe siècle blessé, déjà porteur d’un certain déclin de l’humanité. Au-dessous du volcan raconte la dernière journée de Geoffrey Firmin, consul britannique en pleine déchéance éthylique. Nous sommes le 2 novembre 1938, et c’est en ce jour de fête des morts au Mexique que son épouse Yvonne revient, après un an d’une douloureuse séparation. On épuise difficilement la lecture de ce livre, truffé de symboles et de références: « Il peut être considéré comme une sorte de symphonie, d’opéra, ou même de film de cow-boys. J’ai désiré en faire une musique hot, un poème, une chanson, une tragédie, une farce et ainsi de suite. Il est superficiel, profond, assommant, selon les goûts. C’est une prophétie, un avertissement politique, un cryptogramme, un film loufoque, une absurdité, une phrase sur le mur », prévient l’auteur dans la préface de 1948. Contrairement à Malcolm Lowry, je n’aime pas les préfaces. Je ne les lis pas. Pas plus que les coquetteries liminaires d’éditeurs prévenants. C’est un tort, à l’exception peut-être de ce livre-là, puisque Maurice Nadeau prévient d’emblée dans son avant-propos: « Parlerais-je de ceux qui sont partis pour le Mexique afin de mettre leurs pieds dans les traces du Consul à Quauhnahuac? Hélas! Quauhnahuac n’est qu’une petite ville pour touristes américains… L’emprise magique qu’ont subie les lecteurs d’Au-dessous du volcan n’est le fait que du seul Malcolm Lowry. » Je suis de ces gens-là. En mai 2013, bouleversée par la lecture d’Au-dessous du volcan, je fais le voyage jusqu’à Cuernavaca, la Quauhnahuac du roman. Je voulais voir de près la «ville du printemps éternel», ainsi nommée par l’explorateur allemand Alexander von Humboldt, et où Malcolm Lowry vécut entre 1936 et 1938. C’est là qu’il commence à écrire la première version du roman. C’est là qu’il plante le décor de « l’éblouissante désintégration du Consul », entre les volcans Popocatepetl et Iztaccíhuatl et le palais Cortès. Berceau de la culture mésoaméricaine, Cuernavaca cristallise alors « le rythme lent, mélancolique et tragique du Mexique lui-même, le Mexique, lieu de rencontre de plusieurs races, antique arène de conflits politiques et sociaux où… un peuple coloré et génial entretient une religion qu’on peut appeler celle de la mort », capté par Malcolm Lowry. On dit souvent qu’aucun livre n’a su comme le sien saisir la spécificité mexicaine. Je venais donc à Cuernavaca sur les traces de la fiction, pour marcher dans les pas du Consul, et pour goûter à cette « couleur locale » dont Lowry donne dans le Volcan un avant-goût si fascinant. Comme Geoffrey Firmin, et comme Yvonne, je voulais voir Quauhnahuac, son casino désaffecté, ses «piscines bleu cobalt », sa grande roue Ferris lancée dans la nuit éternelle, les coquelicots de la calle Nicaragua, « les fleurs écarlates en épées de feu » et les « oiseaux couleur de confiture ». Je suis sensible aux charmes des noms propres. Les promesses onomastiques qui fleurissent Au-dessous du volcan m’appelaient du fond de la Sierra Madre: Le Farolito (« un endroit de la f in de la nuit et du début de l’aube »), Tomalín, le Bella Vista, le Ciné Morelos, la Salle Tierra del Fuego, le Salon Ofélia, El Amor de Los Amores, quelques-unes des cinquante-sept cantinas que compte Quauhnahuac contre dix-huit églises, et Parian, ce village dont on ne revient pas, avec son nom « évocateur de marbre antique et des Cyclades balayées de grands vents».
 
Fiction vs. réalité
Sauf le traditionnel 4X4 blindé, des bus assurent la liaison entre Mexico DF et la capitale de l’État de Morelos. Je voulais y voir un présage, puisque Malcolm Lowry s’est inspiré d’une expérience vécue pour commencer à écrire Au-dessous du volcan. C’est l’épisode du bus, qu’il relate au chapitre VIII. Leur Chevrolet 1918, chargée de femmes et de pigeons, va cahotant dans la poussière et le long des ravins. J’aimerais pouvoir en dire autant du bus Pullman climatisé qui vrille l’autoroute. Sauf qu’à défaut d’un voisin franquiste et pilleur de cadavres, j’ai Ricardo, étudiant en surpoids qui mâche des Pringles en regardant Le transporteur, que diffusent à plein volume les écrans suspendus du car. À quelque 90 km de la capitale mexicaine, Cuernavaca est un lieu de villégiature prisé des Chilangos: il y a aujourd’hui cinq fois plus d’habitants qu’à l’époque du séjour de Lowry, et l’explosion démographique a pulvérisé la cartographie rurale du roman. À mon arrivée, les employées de l’office du tourisme s’escriment à décortiquer des mangues du bout de leurs faux-ongles pailletés. Leurs mines patibulaires à la seule évocation du roman en disent long sur l’implication des autorités locales dans un éventuel travail de mémoire. « Malcolm Lowry ne fait pas partie du patrimoine de Cuernavaca. Avec un maire qui change tous les trois ans, c’est un projet difficile à mener », regrette Dany Hurpin, membre de la Fundación Malcolm Lowry qui se réunit chaque année à la date anniversaire du 2 novembre. En attendant, la Fundación dresse sur son site internet l’inventaire des lieux dont l’auteur s’est inspiré pour créer l’univers de son livre. On trouve, entre autres références au réel, une carte reconstituée de Quauhnahuac. Établie par le professeur Chris Ackerley dans le cadre d’un gigantesque travail Pour m’approcher au plus près du Volcan, je descends à l’hôtel Bajo el Volcan, au 19, calle Humbolt – la fameuse et très escarpée calle Nicaragua du roman. C’est dans cette maison que vécut Malcolm Lowry lors de son second séjour au Mexique, en 1945. Sa femme Margerie avait trouvé par hasard à se loger dans la « demeure pseudogothique » dont Lowry s’est inspiré pour décrire la maison de Jacques Laruelle, l’ami d’enfance du Consul, l’amant d’Yvonne. Galileo Iván Serrano Ramirez, 21 ans, est réceptionniste au Bajo el Volcan, vingt-huit chambres, une piscine et un restaurant. Pour répondre aux questions de la quinzaine de visiteurs qui fait chaque mois le pèlerinage jusqu’à Cuernavaca, il a lu le roman. « No he entendido nada », me lâche-t-il sans complexe, alors que nous entamons le « Lowry Tour » de l’établissement. Galileo m’ouvre la chambre 106, une piaule sans charme ni fétiche: « C’est ici que fut écrit le roman », m’annonce-t-il avec l’aplomb d’un vendeur de tapis. Et tant pis si le manuscrit du Volcan était presque sous presse quand le couple occupa les lieux: le tourisme littéraire peut bien s’offrir le luxe de la fiction. Nous empruntons l’escalier qui mène sur la terrasse privée de l’hôtel, où se scellent, chapitre VII, les retrouvailles impossibles du Consul et d’Yvonne. « Il suivit les autres jusqu’au balcon, qui, sur le derrière de la maison, donnait sur un paysage de vallées et de volcans ensoleillés… » Je reconnais le « balcon aérien » et son mirador crénelé, les « fenêtres de biais, les mâchicoulis dégénérés ». Mais la vue n’a pas survécu au temps. En guise de vallées, je ne vois que des toits, camaïeu disgracieux de tôle et de béton. Quant au volcan, il faut beaucoup d’imagination pour se figurer quelque chose derrière l’épais rideau de pollution. Reste « la calle Nicaragua dégringolant la pente sur ma droite ». La rue dégringole toujours, mais les flancs de ravin ont été balisés. Il n’y passe plus ni bœufs d’attelage, ni chevaux, ni cavaliers ivres, ni d’Indiens en guenilles aux « fines mains sales » et délicates. Seule une matrone moulée dans une robe en lycra remonte péniblement la calle Humboldt. Sa natte d’argent lui fouette les reins; son pas est empêché par les magnums de Coca-cola qu’elle porte à bout de bras. Un demi-siècle a passé depuis le passage éthylé de Malcolm Lowry à Cuernavaca. Le règne du soda l’a emporté sur les shakers. Au Bajo el Volcan, exit le mescal et la tequila; on carbure au Gatorade. Une dizaine de marathoniens squattent la piscine de l’hôtel. Ils sont venus de Mexico DF pour la Carrera Sport City Cuernavaca, la course à pied qui aura lieu le lendemain. En attendant, rivés à l’écran de leurs smartphones, ils comparent leurs performances sur l’application Runtastic.
 
L’architecture de l’Enfer
Au fond de la cour intérieure de l’hôtel, une passerelle dessert une petite dizaine de chambres. Elles donnent à pic sur la barranca, le précipice qui accidente l’aménagement de la ville. Un essaim de moucherons stagne au-dessus du gouffre. La végétation retient dans ses bras luxuriants des ordures de toutes sortes: canettes décolorées, serviettes hygiéniques, piles usagées et papiers gras. Cette carte postale est tristement courante au Mexique, mais elle prend une saveur particulière pour les lecteurs du Volcan: « Signe de séparation irréductible, la barranca rappelle le roc en décomposition dont l’image navrante déchire Geoffrey et Yvonne. [… ]Par une inévitable association, ce gouffre béant f igure l’entrée de l’Enfer. » Comme le souligne  Christine Pagnoulle, la barranca est un thème récurrent de cette « Divine comédie ivre » – l’analogie est de Malcolm Lowry. C’est même sa chute, froide comme la mort du Consul: « Quelqu’un jeta un chien mort après lui dans le ravin. » Je dors donc côté rue, le plus loin possible du funeste ravin. Prostrée avec mes Corona sous un ventilateur muet, j’invoque le fantôme dipsomane de Lowry; c’est la litanie des vendeurs de cacahuètes qui finira par me bercer. Mais c’est encore le lendemain que culminera mon entreprise chimérique, à quelques minutes de mon départ. En route pour la gare routière de Cuernavaca, je passe devant un casino. J’imagine, le cœur battant, qu’il s’agit du casino de la Selva où s’ouvre le roman, ce lieu désaffecté qu’hantent « les spectres des joueurs ruinés ». À peine quelques photos plus tard, un agent de sécurité m’intime de lui remettre la pellicule. Les casinos mexicains ne sont pas des crèches: j’obéis sans tergiverser. Je perdais ce faisant la totalité des images prises à Cuernavaca. Mais je gagnais la certitude, au prix de 9000 kilomètres et deux jours de vaines pérégrinations, que la littérature est sourde aux assauts du réel. J’étais privée des preuves tangibles de mon expédition. Et pourtant, alors même que je retournais à la case départ, je n’avais jamais été aussi proche du roman. Au-dessous du volcan commence par la fin de l’histoire et peut être lu comme un éternel recommencement. C’est l’architecture de l’Enfer, empruntée par Lowry à Dante, et qui symbolise à ses yeux les aspirations impossibles de l’âme. Certains vont à Graceland; d’autres, à Charleville-Mézières. Quant à la Quauhnahuac  de Lowry, c’est une ville de papier. Il m’aura fallu aller jusqu’à Cuernavaca pour donner raison à Proust: « la vraie vie, la vie enfin découverte et éclaircie, la seule vie par conséquent pleinement vécue, c'est la littérature. »
 
Revista Mouvement, Diciembre 2014

martes, 30 de junio de 2015

Cincuenta años de Bajo el volcán en portugués

Malcolm Lowry (1909-1957) comenzó a escribir Bajo el volcán en 1937 en Cuernavaca, Morelos, México, novela que se publicó en Febrero de 1947 por Reynal and Hitchcock en Nueva York y por Jonathan Cape en Londres. En un artículo de 1967 (nótense los sietes), Anthony Burguess dice que la novela fue ignorada sistemáticamente en Inglaterra, pero en realidad la novela no tardó en traducirse al francés, al italiano, al holandés, y en los Estados Unidos se hizo una segunda impresión en el mismo año. Todo a pesar de que se trataba de la obra de un escritor prácticamente desconocido sobre un tema que acababa de ser tratado por Charles Jackson en su novela The lost weekend de 1944 que luego había sido llevada al cine bajo la dirección de Billy Wilder en 1945 y que recibió de la Academia de Artes Cinematográficas el premio a la mejor actuación del año por el trabajo de Ray Milland. Sí, era un escenario adverso, pero Bajo el volcán fue ganando terreno al punto que Lowry se hizo famoso, tanto, que llegó a quejarse:

Es un desastre el éxito. Más hondo
que tu casa en llamas consumida…

La versión es de José Emilio Pacheco que incluyó en No me preguntes cómo pasa el tiempo (1969). Y, tanto, que después, por miedo al éxito, no pudo seguir escribiendo. Antes, algo había publicado, unos cuantos textos, sobre todo, en revistas:



“Port Swettenham” en Experiment, 1930.
“Goya the obscure” en The Venture, 1930.
“Punctum Indifferens Skibet Gaar Videre” en Experiment, 1931.
El mismo texto pero con otro título: “Seductio ad Absurdam” en Best British Short Stories of 1931.
Ultramarine, publicado por Jonathan Cape, 1933.
“On Board the West Hardaway” en Story, 1933.
“In Le Havre” en Life and Letters, 1934.
“Hotel Room in Chartres” en Story, 1934.
Eso es todo. Después, Under the Volcano.

El resto, lo publicó Margerie cuando Malcolm ya había muerto, luego vinieron las traducciones.

Este año celebramos los cincuenta años de la traducción al portugués.

Félix García
Cuernavaca, 2015
 
 
 
 
 

50 ANOS DA PUBLICAÇÃO DE «DEBAIXO DO VULCÃO» EM PORTUGAL
 
 
Malcolm Lowry (1909-1957) começou a escrever Debaixo do Vulcão em 1937 em Cuernavaca, México, romance que se publicou em Fevereiro de 1947 por Reynal and Hitchcock em Nova Iorque e por Jonathan Cape em Londres. Num artigo de 1967 (de notar os setes), Anthony Burguess diz que a obra foi ignorada sistematicamente em Inglaterra. No entanto, o romance não tardou a ser traduzido para francês, italiano, holandês – e nos Estados Unidos, ainda nesse ano, a obra foi de novo impressa. Apesar de se tratar de uma obra de um escritor praticamente desconhecido e versando um tema que acabava de ser tratado por Charles Jackson no seu livro The Lost Weekend (transposta para cinema por Billy Wilder, foi galardoada com o prémio da Academia de Artes Cinematográficas para a melhor actuação do ano, pelo trabalho de Ray Milland.)

Sim, num cenário adverso, Debaixo do Vulcão foi ganhando terreno, a ponto de Malcolm Lowry se tornar famoso – tanto, que chegou a lamentar:
 
É um desastre, o êxito. Mais fundo
do que a tua casa em chamas consumida

(versão de José Emilio Pacheco, incluída em No me preguntes cómo pasa el tiempo, 1969).
E o êxito é um desastre de tal modo que, depois, por medo ao sucesso, Malcolm Lowry não conseguiu continuar a escrever. Antes, não tinha publicado mais do que alguns textos, sobretudo em revistas:
 
«Port Swettenham», em Experiment, 1930.
«Goya the obscure», em The Venture, 1930.
«Punctum Indifferens Skibet Gaar Videre», em Experiment, 1931. O mesmo texto foi publicado com o título: «Seductio ad Absurdam», em Best British Short Stories of 1931.
Ultramarine, publicado por Jonathan Cape, 1933.
«On Board the West Hardaway», em Story, 1933.
«In Le Havre» em Life and Letters, 1934.
«Hotel Room in Chartres» em Story, 1934.
Depois, Debaixo do Vulcão, em 1947.
As restantes obras foram publicadas por Margerie, já após a morte do marido.
Seguiram-se, gradualmente, as traduções. Este ano celebramos os 50 anos da publicação em Portugal.
Félix García
Cuernavaca, 2015
 
Traducción de Marcelo Teixeira

sábado, 27 de junio de 2015

LVIII aniversario luctuoso de Malcolm Lowry

Hoy, 27 de Junio, es el aniversario LVIII del fallecimiento de Malcolm Lowry
 
 

En Febrero de 1947 se publica en los EEUU Bajo el volcán y Lowry va a Nueva York para ese acontecimiento. En Noviembre de ese mismo año se embarca en Vancouver rumbo a Francia, pasando por el Canal de Panamá. Durante 1948 vive en París, y viaja desde allí a Italia y Bretaña. De 1949 a 1954 vuelve a Dollarton en la Columbia Británica en Canadá y trabaja en Escúchanos, Señor, desde el cielo, tu morada, que es una colección de cuentos. También trata de avanzar en sus novelas interrelacionadas El viaje que nunca termina, para lo que ya había recibido un adelanto económico de Random House. En 1954 deja Dollarton, va a Los Angeles para saludar a la familia de su esposa Margerie Bonner, visita a Conrad Aiken en Nueva York, viaja en barco a Génova, en el carguero italiano S. S. Giacomo, y se instala en Sicilia. En 1955 viaja a Londres y el 25 de Noviembre ingresa al hospital Atkinson Morley para un tratamiento siquiátrico. Sus crisis alcohólicas van en aumento. En Febrero de 1956 se instala en Ripe, Sussex, Inglaterra, y vuelve a trabajar. En Mayo y Junio de 1957, recorre la región de los lagos en el norte de Inglaterra. El 27 de Junio muere en Ripe.

Una semana después de ocurrida la muerte de Lowry, el periódico Argus de Brighton publicó:


ELLA ROMPIÓ UNA BOTELLA DE GINEBRA
ENCONTRÓ MUERTO A SU ESPOSO

La señora Margerie Lowry, de White Cottage, Ripe, trató de evitar que su esposo Clarence, escritor de 47 años, empezara a tomar ginebra, una tarde de la semana pasada. Estrelló la botella en el piso y él la golpeó.
La señora Lowry, temerosa, huyó a la casa vecina y no regresó a la cabaña hasta las nueve de la mañana siguiente.
Ésta fue la historia que refirieron al jurado de Eastbourne; el médico forense, doctor A. C. Sommerville, dictó el veredicto muerte accidental.
Cuando volvió, encontró muerto a su esposo.
La señora Lowry dijo que su esposo había sido tratado en un hospital para alcohólicos y un año antes había sido dado de alta como incurable.
“Cuando me golpeó ―declaró― estaba bajo la influencia del alcohol y enfurecido”.
El alguacil William Ford señaló que encontró al señor Lowry en el piso, junto a la cama.
Cerca de él se encontraron, rotos, una botella de ginebra y un frasco de jugo de naranja.
Faltaba un frasco de 20 píldoras de amital sódico para dormir que pertenecía a su esposa. Éste fue encontrado más tarde, vacío.
“Encontré en la casa muchos frascos recetados a la señora Lowry”, dijo el alguacil Ford.
El examen médico demostró que el señor Lowry murió por un agudo envenenamiento barbitúrico asociado con un estado crónico de alcoholismo. (Cfr. Day, D., Malcolm Lowry. Una biografía. Fondo de Cultura Económica. Colección Popular 219. México, 1983: pp. 18-19).
 

La nota del periódico es injusta porque nada dice de Bajo el volcán que es sin duda una de las cimas de la literatura universal y nada dice del talento de Clarence Malcolm Lowry que era tan extraordinario que sólo puede describirse con la palabra “genio”. Tampoco investiga bien el acontecimiento porque bien pudo haber sido un accidente o un suicidio o un homicidio…

Félix García
Cuernavaca, 2015

 

 

viernes, 26 de junio de 2015

Sobre Lowry, libro premiado

Durante la VI Feria del Libro Independiente, fue otorgado el "Premio al libro artesanal 2014" a La Cartonera por el libro Sobre Lowry donde participan con diversos textos Dany Hurpin, Maurice Nadeau, Raúl Ortiz y Ortiz, Carlos Antonio de la Sierra, Félix García, Frédéric-Yves Jeannet, Francisco Rebolledo, Marcelo Teixeira, Ricardo Vinós, Alberto Rebollo, León Gil, Douglas Diegues, Carlos Francisco Gallardo Sánchez, Rafael Segovia, José Mariano Leyva, Rocato, Félix Vergara, John Anderson, María Vinós, Nigel H. Foxcroft, con imágenes de Alejandro Aranda, Pablo González Barrios "Pablez", Cisco Jiménez, Dany Hurpin y Francisco Jiménez Paredes.
 

 
 
En la Presentación del libro, Dany Hurpin escribió: "En este libro, el lector viajará adentro del Volcán, desde casi los inicios del andar de la novela con los textos de Maurice Nadeau, su editor francés, a quien agradecemos infinitamente por su gentileza y humildad, y de Raúl Ortiz y Ortiz el único traductor de la novela al español: una persona extraordinaria también..."
 
 



 

sábado, 20 de junio de 2015

En memoria de Paul Nixon

 
 
 
Hoy nos enteramos que has partido.
Cierro los ojos,
no quiero que se escapen los recuerdos.
Deseé con todo el corazón
que vinieras a México
y fuéramos a El Platanar,
allá, donde crecen
los mejores mameyes del mundo.
Hoy nos enteramos que has partido.
Quiero guardar todos los recuerdos
En una maleta como la tuya.
Más que viajero, eras mago.
De la maleta sacabas un libro,
una lap,
una playera impresa,
un juego de destreza,
una bicicleta,
montones de medicina,
ah… y tu inseparable cafetera!
Hoy nos enteramos que has partido.
Te vamos a extrañar.
Te extrañarán las calles de San Francisco,
el cayak,
la bahía,
los rápidos,
las montañas,
la luz de la luna,
el oso, aquel oso. ¿Te acuerdas?
Te extrañará Cuernavaca,
Mariscala,
Oaxaca,
Bello Horizonte,
te extrañará mi casa, tu casa…
te extrañaremos nosotros hasta siempre.
Adiós, adiós, querido Paul!
 
Elizabeth Orihuela García