FUNDAÇÃO MALCOLM LOWRY

FUNDAÇÃO MALCOLM LOWRY

Este blogue foi criado com o intuito de unir a comunidade lowryana de todo o mundo, a fim de trocar ideias e informação sobre o autor, promover a organização de conferências, colóquios e outras actividades relacionadas com a promoção da sua obra. Este é o primeiro sítio trilingue feito no México sobre o tema. Cuernavaca, México.


Malcolm Lowry Foundation


This blog was created to comunicate all lowry scholars, fans and enthusiastics from around the world in order to promote the interchange of materials and information about the writer as well as organize events such as lectures, colloquiums and other activities related to the work of the author. Cuernavaca, Mexico.


FONDATION MALCOLM LOWRY

Ce blog a été crée dans le but de rapprocher la communauté lowryenne du monde entier afin de pouvoir échanger des idées et des informations sur l'auteur ainsi que promouvoir et organiser des conférences, colloques et autres activités en relation avec son oeuvre. Cuernavaca, Morelos, Mexique.

martes, 21 de junio de 2011

Convocatoria

Ensayo corto por los 102 años con y 54 sin Malcolm Lowry


Para conmemorar los 102 años con y 54 sin Malcolm Lowry en la tierra (Chesire, Inglaterra, julio 28 de 1909- Ripe, Inglaterra, junio 27 de 1957) y con el propósito de difundir el conocimiento de la obra y la vida del autor de Bajo el volcán, La Cartonera invita a escritoras y escritores, residentes o no en México, a escribir un ensayo corto para ser publicado por esta editorial artesanal y artística, de acuerdo con los siguientes lineamientos:

1. Ensayo corto libre, inédito, (no necesariamente académico) con un máximo de 15 mil caracteres, aproximadamente 7 cuartillas.

2. Los ensayos deberán estar redactados en letra Palatino Linotype, a 12 puntos, a 1.5 espacios, en formato .doc o .odt (word u openoffice).

3. Adicional al ensayo, el autor debe enviar una pequeña ficha biográfica (no más de 5 líneas), incluyendo su correo la cual será incluida en el volumen final, como referencia.

4. El material deberá ser enviado al correo electrónico lacuernacartonera@gmail.com, a más tardar el 16 de septiembre del presente año. Se enviará respuesta de recibido por la misma vía.

5. Los trabajos a publicar serán seleccionados por un jurado integrado por un autor o autora reconocidos, un integrante de la Fundación Malcolm Lowry y por un miembro de La Cartonera, cuyos nombres y fallo, serán dados a conocer el 14 de octubre del año en curso. Su fallo será inapelable.

6. La Cartonera en agradecimiento al apoyo de creadores se compromete a publicar las obras seleccionadas y entregar a los mismos tres ejemplares únicos y numerados del volumen cartonero, el 2 de noviembre de 2011, en un lugar que se dará a conocer de manera oportuna.

7. Los autores en todo momento conservarán los derechos de los textos firmando, a manera de contrato, la autorización para que La Cartonera los publique y reedite si así fuese el caso.

Atentamente

“No se puede vivir sin amar y sin mezcal”

La Cartonera
Cuernavaca, Morelos, 07 de junio de 2011
http://edicioneslacartonera.blogspot.com/

martes, 17 de mayo de 2011

Artículo de Manuel Poppe

Sobre Malcolm Lowry (1909-1957)


1. Julien Gracq, escritor francês cujo destino se cumpriu honestamente -à margem da bolsa das vaidades- denunciou a doença da literatura: “nivelamento por baixo, subserviência progressiva do espírito, desorientação do público, que identifica o autor-vedeta com as marcas comerciais. O mediático inventa e impõe o zero cultural”. Assim é: transformada em “produto” a obra literária vale o dinheiro que rende. Os críticos transmudaram-se em fiéis de armazém. Acabaram os escritores, triunfam os escribas. É a época do mercado e da aparência. Quando a editora Relógio de Água publica Lowry, alegram-se os que não ignoram tratar-se de um autor extraordinário e ser “Debaixo do Vulcão” uma obra-prima. Festeja-se um acto de coragem: livros desses não cabem no comercio reinante: o da pseudo-arte.


2. Clarence Malcolm Lowry nasceu em 1909 (New Brighton, Liverpool) e morreu em 1957, em Ripe, na costa sul de Inglaterra, vítima de um cocktail de whisky e sedativos, na véspera de fazer 48 anos. Um alcoólico, desde a adolescência (desde os 14 anos, nota Gordon Bowker, na biografia, “Pursued by the furies”, St. Martins Press, N-Y, 1997). A primeira mulher, Janine van der Heim (jovem aprendiz de escritora de 22 anos, que assinava Jan Gabrial) descreve-o tal qual o conheceu em Granada (1933): “uma estranha mistura de idealismo e bicho da terra”. O sonho e o insaciável amor às coisas deste mundo e o desejo de as possuir e compreender levá-lo-iam à paixão e ao desastre –a um destino de nómada: todos os lugares lhe foram passageiros. Cedo saiu de casa dos seus pais. Viajou, obstinada e inevitavelmente. A China, o México, Nova-Iorque, o Canadá representaram etapas indispensáveis à feitura de um dos mais ricos, profundos, trágicos, poéticos romances do século XX. O seu alcoolismo visionário, a insatisfação, a inconsciência (inocência?), a busca desesperada do sentido da vida tornaram-no insuportável. Jan aguentou quatro anos. A segunda mulher, Margerie Bonner, ex-actriz divorciada e mais velha do que ele, conseguiu acompanhá-lo de 1939 até à morte. A que preço? Lowry conheceu a prisão, a deportação, os hospitais, a miséria. Não era um amante fácil.


3. Deixou escassa bibliografia. A sua obra será, talvez, uma só: “Debaixo do Vulcão”, escrito e rescrito quatro vezes, pago com suor e ressacas, fabulosa epopeia d’alma, condenada ao silêncio. Não se trata da autobiografia de um bêbedo; representa, genialmente, o grito do Homem, que interpela os deuses emboscados.


4. Geoffrey Firmin -o Cônsul de “Debaixo do Vulcão”-, numa das passagens dolorosas e intensas, reconhece que “ele próprio está no Inferno”; que o Inferno está dentro dele e o possui. Em casa de Laruelle (ex-amante da sua mulher), entre os desenhos de Orozco, pintor do patético e do trágico”, e as telas violentas de Diego Rivera, evocativas da gorada epopeia revolucionária mexicana, pressente, além do fio da navalha, “o instante de Deus”: o momento em que o perdão salvará o mundo. Mas é demasiado tarde. Perdoar a quem? A Yvonne (“o meu perdão nunca será suficientemente profundo”)? À absurdeza da vida? Ao consentimento de Deus, que não impede ao demónio desvairar os homens? Coração ferido não tem perdão, e ele irá continuar a procurar, na tequilla e no mescal, a fuga –ou a lucidez reveladora. “De que serve fugirmos de nós próprios?” E, sozinho, sofre o delírio do mundo. E cita Baudelaire: “Os deuses existem: são o diabo”. Pesa-lhe “a obscura região morta” e busca a saída, no calvário redentor.


5. Lowry fala de Hitler, da Guerra de Espanha, do drama mexicano, de Orozco e Rivera, artistas que denunciam o escândalo social. Fala de Yvonne. “Debaixo do Vulcão” é o romance do amor traído? Sim, mas dum amor total: à vida, ao universo indecifrável e arrebatador. Yvonne foi o mensageiro que falhou. O que aguilhoa e sangra o Cônsul é a traição de todos a tudo e de cada um a si próprio. Haverá, ainda, nesse martirizado, alguma esperança? Do fundo do poço, o Cônsul clama: “luto pela sobrevivência da sensibilidade humana”. No seu livro, reencontramos Dostoievski: a complexidade e a religiosidade torturada. Geoffrey Firmin aponta iniquidades, perversidades e monstruosidades sociais –e a misteriosa (muda) harmonia do infinito. Nenhuma contradição: o sentido religioso é o sentido da justiça social.


6. “Meu Deus!, se a nossa civilização saísse da bebedeira e, durante dois dias, abrisse olhos, ao terceiro morria de remorsos”, diz Hugh, irmão de Geoffrey e outro alter-ego de Lowry. O Cônsul, a viver as suas últimas doze horas, pensava o mesmo. O alucinado (o nigromante), o decadente (o imaculado) tinha os pés bem assentes na terra, onde lia sinais de um mítico Éden e lhe acontecia partilhar o quotidiano prostituído. A alma ardia-lhe. Lowry escolheu o limite do risco. Mas, se tudo aponta para o suicídio, a verdade é que as razões da sua morte permanecem obscuras. Margerie Bonner, última companheira, disse tratar-se de um descuido. Essa versão oficiosa não convenceu ninguém.


Manuel Poppe
Publicado na Página de Cultura de Jornal de Notícias, de 10 e 17 de Feveriero de 2008






Acerca de Malcolm Lowry (1909-1957)

1. Julien Gracq, escritor francés cuyo destino se cumplió honestamente —más allá de la bolsa de las vanidades— denunció las dolencias de la literatura: “nivelación a la baja, espíritu de sumisión progresiva, desorientación de la opinión pública que identifica al autor vedet con las marcas comerciales. Los medios de comunicación inventan o imponen la cultura cero”. Así se transforma en “producto” la obra literaria que vale el dinero que gana. Los críticos se transforman en fieles de las grandes tiendas. Desaparecen los escritores y los escribanos triunfan. Es el tiempo del mercado y la apariencia. Cuando la editorial Relógio de Água publica a Lowry, se regocijan los que no ignoran que se trata de un autor extraordinario y que “Bajo el volcán” es una obra maestra. Se celebra así un acto de valentía: libros como ese no caben en el comercio imperante o de pseudo-arte.

2. Clarence Malcolm Lowry nació en 1909 (New Brighton, Liverpool) y murió en 1957 en Ripe, en la costa sur de Inglaterra, víctima de un cocktail de whisky y sedantes, poco antes de cumplir 48 años. Un alcohólico desde su adolescencia (desde los 14 años, hace notar Gordon Bowker en la biografía “Pursued by the furies”, St. Martins Press, N-Y, 1997). Su primera esposa, Janine van der Heim (joven aprendiz de escritora que firmaba Jan Gabrial) lo describe tal cual lo conoció en Granada (1933): “una extraña mezcla de idealismo y de animal de tierra”. Los sueños, el insaciable amor a las cosas de este mundo y el deseo de poseerlas y comprenderlas lo llevarían a la pasión y al desastre, a un destino de nómada: todos los lugares le serán pasajeros. Pronto salió de casa de sus padres. Viajó, obstinada e inevitablemente. China, México, Nueva York, Canadá representarán etapas indispensables para la realización de uno de los más ricos, profundos, trágicos y poéticos romances del siglo XX. Su alcoholismo visionario, su insatisfacción, su inconsciencia (¿inocencia?), se volverán insoportables. Jan aguantó cuatro años. Su segunda esposa, Margerie Bonner, ex actriz divorciada y mayor que él, consiguió acompañarlo hasta su muerte en 1939. ¿A qué precio? Lowry sabía de la cárcel, la deportación, los hospitales, la pobreza. No era un amante fácil.

3. Dejó escasa bibliografía. Su obra será, tal vez, una sola: “Bajo el volcán”, escrito y reescrito cuatro veces, pagado con sudor y resacas, fabulosa epopeya del alma, condenada al silencio. No se trata de la autobiografía de un borracho, representa, genialmente, el grito del hombre que interpela a los dioses emboscados.

4. Geoffrey Firmin —el Cónsul de “Bajo el volcán” — en uno de los pasajes dolorosos e intensos, reconoce que “está en el infierno” y que el infierno está dentro de él. En casa de Laruelle —ex amante de su esposa— entre los cuadros de Orozco, pintor de lo patético y lo trágico, y las pinturas de Diego Rivera que recuerda la frustrada epopeya de la Revolución Mexicana, se hace presente, en el filo de la navaja, “el momento de Dios”, el instante en el que el perdón podrá salvar al mundo. Pero es demasiado tarde y ¿a quién hay que perdonar? ¿A Yvonne (“mi perdón nunca será suficientemente profundo”) ¿A las desatinos de la vida? ¿Al consentimiento de Dios que no impide al demonio hacer desvariar a los hombres? El corazón herido no tiene perdón y él seguirá buscando, en el mezcal o el tequila, la evasión o la lucidez reveladora. “¿De qué sirve huir de nosotros mismos?” Sufre el delirio del mundo y cita a Baudelaire: “Los dioses existen, son el demonio”. Le pesa la “oscura región muerta” y busca la salida en el calvario redentor.

5. Lowry habla de Hitler, de la guerra de España, del drama mexicano, de Orozco y Rivera, artistas que denuncian el escándalo social. Habla de Yvonne. ¿“Bajo el volcán” es un romance sobre la traición del amor? Sí, pero de un amor total a la vida, al universo indescifrable y asombroso. Yvonne fue un mensajero que falló. Lo que aguijona al Cónsul es la traición de todos a todo y de cada uno a sí mismo. ¿Habrá, todavía, en este suplicio, alguna esperanza? En el fondo del pozo, el Cónsul clama: “Duelo por la sobrevivencia de la sensibilidad humana”. En su libro reencontramos a Dostoievsky: la complejidad y la religiosidad torturada. Geoffrey Firmin apunta inequidades, perversidades y monstruosidades sociales, dentro de una misteriosa (muda) armonía del infinito. Ninguna contradicción: el sentido religioso y el sentido de justicia social.

6. “Dios mío, si nuestra civilización saliera de la embriaguez y, durante dos días, abriese los ojos, al tercero moriría de remordimientos” dice Hugh, hermano de Geoffrey y otro alter ego de Lowry. El Cónsul, viviendo sus doce últimas horas, pensaba lo mismo. El loco (el mago), el decadente (el alucinado) tenía los pies bien firmes en la tierra donde lee los signos de un mítico Edén y le parecía compartir lo cotidiano prostituido. Le ardía el alma. Lowry optó por el límite del riesgo. Pero, a pesar de que todo apunta hacia el suicidio, la verdad es que las razones de su muerte permanecen oscuras. Margerie Bonner, su última compañera, dice que se trata de un descuido. Esa versión oficiosa no convence a nadie.

Manuel Poppe
Publicado en el suplemento cultura de Jornal de Notícias, en Febrero de 2008
Traducción de Félix García

viernes, 13 de mayo de 2011

Archivo Lowry



Como piezas de un rompecabezas, los materiales incluidos en el “Archivo Lowry” de Raúl Ortiz y Ortiz (el cuento que Malcolm Lowry escribió en México en 1936, primer antecedente de “Bajo el volcán”; la carta en la que refiere sus infortunios con las autoridades mexicanas en 1946; correspondencia inédita entre Margerie Lowry y Ortiz y Ortiz, entrevistas, bibliohemerografía de y sobre Lowry, manuscrito inéditos, fotografías, etc.) permiten al lector recrear la gestación del traslado al idioma español y el lanzamiento de la obra maestra del escritor británico en México, en una época —principios de los años 60— en la que era prácticamente desconocida entre los lectores de habla hispana y en la que, gracias a la infatigable labor de Ortiz y Ortiz, su fama se consolida y llega a un público cada vez mayor. Aun en nuestros días, cuando hay una infinidad de publicaciones en torno a Lowry, las piezas que Ortiz y Ortiz ha reunido devotamente desde que, en la década de los 50, llegara a sus manos por primera vez el libro que habría de marcarlo de por vida, y de las que ahora generosamente —en el marco de su aniversario número 80 (2 de mayo de 1931) y a casi cincuenta años de la publicación en México de su traducción de “Bajo el volcán” (Era, 1964)— nos ofrece una significativa muestra, arrojan una luz reveladora sobre diversos aspectos de la vida y la obra de Malcolm Lowry que habían permanecido ignorados hasta ahora. En un acto magnánimo y solidario, quien merece ser homenajeado, incrementa con este archivo su ya de por sí vasto legado y rinde con él “un homenaje a cuantos lowryanos, fieles a la figura del escritor, han procurado mantener viva su imagen y continúan esperando que llegue el día en que la humanidad se comporte según las dos advertencias del autor: “¿Le gusta este jardín que es suyo? ¡Evite que sus hijos lo destruyan!” y “No se puede vivir sin amar””.

Ángel Cuevas


ARQUIVO LOWRY

Como peças de um quebra-cabeças, os materiais incluídos em “Arquivo Lowry”, de Raúl Ortiz y Ortiz (o conto que Malcolm Lowry escreveu no México em 1936, primeiro antecedente de “Debaixo do Vulcão”; a carta em que refere os seus infortúnios com as autoridades mexicanas, em 1946; correspondência inédita entre Margerie Lowry e Ortiz y Ortiz; entrevistas; biblio-hemerografia de e sobre Lowry; manuscritos inéditos; fotografias; etc.) permitem ao leitor recrear o início da transposição para espanhol e o lançamento da obra-prima do escritor britânico no México numa época – princípio dos anos 60 – em que era praticamente desconhecido dos leitores de fala hispânica e na qual, graças labor infatigável de Raul Ortiz y Ortiz, a sua fama se consolida e chega a um público cada vez mais vasto.

Ainda hoje, quando existe uma infinidade de publicações sobre Lowry, as peças que Raúl Ortiz y Ortiz reuniu de forma devota desde que, na década de 50, lhe chegou às mãos pela primeira vez o livro que o haveria de marcar para sempre, e das quais generosamente – por ocasião do seu 80º aniversário (2 de Maio de 1931) e a quase cinquenta anos de distância da sua tradução de “Debaixo do Vulcão” (Era, 1964) – nos oferece agora uma significativa amostra, projectam uma luz reveladora sobre diversos aspectos da vida e da obra de Malcolm Lowry que haviam permanecido desconhecidos até agora.

Num gesto magnânime e solidário, que merece ser homenageado, aumenta, com esta documentação, o seu já vasto legado e presta com ele “uma homenagem aos todos os lowryanos que, fiéis à figura do escritor, procuraram manter viva a sua imagem e que continuam a esperar o dia em que a Humanidade se comporte de acordo com as advertências do autor: «¿Le gusta este jardín que es suyo? ¡Evite que sus hijos lo destruyan!» e «No se puede vivir sin amar»”.

Ángel Cuevas

Raúl Ortiz presenta libro y celebra sus 80 años

Raúl Ortiz presentó en La Casona Spencer de Cuernavaca el "Archivo Lowry" que el Instituto de Cultura del Estado de Morelos acaba de publicar con material inédito que incluye la correspondencia entre Raúl y Margerie Bonner, el cuento "Bajo el volcán" que sería la semilla de la novela y otros materiales que incluyen fotografías de diversas épocas desde que Malcolm y Jan estuvieron por primera vez en lo que luego sería la Quauhnáhuac de la novela.
Acompañaron a Raúl en la presentación: Carlos Miranda, editor; Aida Espinosa, traductora de "Pursued by the Furies" de Gordon Bowker que el Fondo de Cultura Económica acaba de publicar para el mundo de habla hispana; Martha Ketchum, directora del Instituto de Cultura de Morelos; Óscar Menéndez, realizador del documental "Malcolm Lowry en México" y quien sugirió que el ayuntamiento debería poner el nombre de Malcolm a una plaza y en el Jardín Borda a uno de los patios o una sala, y Ángel Cuevas editor del Instituto de Cultura de Morelos y el más ferviente impulsor de este trabajo.
El evento terminó con la celebración de los 80 venturosos años de Raúl.
Enhorabuena



















Las fotografías son de Dany Hurpin



RAÚL ORTIZ APRESENTA LIVRO E COMEMORA OS SEUS 80 ANOS

Raúl Ortiz y Ortiz apresentou na Casona Spencer de Cuernavaca o livro “Arquivo Lowry”, acabada de editar pelo Instituto de Cultura do Estado de Morelos. Trata-se de uma obra com material inédito, que inclui a correspondência entre Raúl e Margerie Bonner, segunda mulher de Malcolm Lowry, o conto “Debaixo do Vulcão”, que seria a semente do romance, e outros materiais, como fotografias de diversas épocas desde que Malcolm e Jan estiveram pela primeira vez na que seria a Quauhnáhuac do livro.

Juntamente com Raul, estiveram presentes Carlos Miranda, editor; Aida Espinosa, tradutora de “Pursued by the Furies”, de Gordon Bowker, que o Fondo de Cultura Económica publicou para o mundo hispânico; Martha Ketchum, directora do Instituto de Cultura de Morelos; Óscar Menéndez, realizador do documentário "Malcolm Lowry en México", e que sugeriu ao município a atribuição do nome de Malcolm Lowry a uma praça e a um dos pátios ou a uma sala do Jardim Borda; e Ángel Cuevas, editor do Instituto de Cultura de Morelos e o mais fervoroso impulsionador deste trabalho.

O evento terminou com a comemoração dos 80 afortunados anos de Raúl.

Em boa hora!

martes, 10 de mayo de 2011

2a parte entrevista a Raúl Ortiz

-Nos quedamos en Rosario Castellanos, me dijiste que era tu amiga que tuviste muy buena relación con ella, qué nos puedes decir sobre Rosario, ¿cómo era? ¿cómo la conociste?

-¿No importa que esto no tenga nada que ver con El Volcán verdad?

-Pues, no.

-Bueno la conocía en la universidad en 1981 cuando los dos fuimos invitados a colaborar con el Dr. Chávez y yo pronto me hice amigo de ella porque formaba parte de un grupo de funcionarios de la universidad que nos reuníamos con el secretario general todos los días a tomar una taza de café de las doce treinta al cuarto para la una, hablábamos de cine, de literatura, de política, de cualquier cosa que no fuera la universidad, ni siquiera se podía mencionar la palabra universidad porque quien incurriera en alguna de estas prohibiciones tenía que pagar una multa de diez pesos, y luego al cabo de algunas semanas nos íbamos a comer los mismos que asistíamos a estas reuniones a un restaurante, pagábamos las multas los que debíamos y luego se pagaba la cuenta entre todos los asistentes. Rosario era una mujer de una inteligencia verdaderamente incomparable, yo conocía gente muy famosa y gente que tiene la reputación de ser una inteligencia ágil, penetrante, amplía, pero nadie como Rosario Castellanos, era una mujer que toda su vida padeció del rechazo, ella que necesitaba tanto amor y que daba tanto amor, desde que la madre y el padre regresaron del sepelio de su hermano menor le dijeron lo que había de marcar su vida “¡cómo no te moriste tú en vez de tu hermano que era el varoncito!” durante todos los años de su infancia y de su adolescencia vivió desprovista de amor, luego se enamoraba de gente que no le correspondía sino para sacar raja, y ufanarse como novio, amigo de Rosario Castellanos…

-Rosario es la escritora más importante del siglo XX por todo lo que escribió como ensayista, como autora teatral, como novelista, como cuentista, con ensayos de toda índole, de política…, se acaba de publicar en el Conaculta una edición en tres tomos de todos los ensayos de Rosario, es la contribución más importante de los últimos años, como poeta es extraordinariamente emotiva, con una gran sencillez, con un dominio del lenguaje, completamente, llano, musical…, poseía profundamente triste, sobre todo la última parte de su poesía que escribió de 1970-74 que fue cuando murió y toda está recopilada en “Poesía no eres tú”, ahora, sólo pudo escribir una obra graciosísima de teatro que es “el eterno femenino” y se representó pero después de la muerte de Rosario, para mí ella tiene una característica que no tiene ni una feminista ni una autora indigenista, lo que mueve su filosofía, lo que defiende ella es al débil y se subleva contra la injusticia y los dos polos más afectados de la injusticia en muchas parte del mundo pero carcterísticamente aquí en México son los indígenas y las mujeres, pero sin haber tenido un adiestramiento mundano para ser diplomática, al año de estar en Israel dominaba ya todos los rituales diplomáticos, se dice que los mejores informes que recibía la Secretaría de Relaciones Exteriores eran los informes mensuales que ella mandaba sobre la situación en Israel y eso todavía no se ha publicado, pero existen y creo que fueron facilitados a los investigadores para tomar nota de lo que fue su actividad de manera muy extraña, yo te aseguro que los únicos años que fue feliz fueron los tres años que se pasó en Israel.

-¿Y que te platicaba sobre su poesía? ¿Cómo la escribía, dónde lo hacía, cómo se inspiraba?

-Lo único que te puedo decir es que cuando decidió divorciarse, fue durante el fin de año de 1969 a 70 cuando hizo un viaje a Israel y a Europa y al tomar la decisión fue tanto el sufrimiento que ella tuvo en ese viaje, que escribió la última parte de su poesía, una poesía que había naturalmente en ella, es una poesía muy personal y sobre todo una poesía muy emotiva que refleja la desolación de una mujer sin cariño, a mí se me criticó mucho por haber cumplido una orden que ella me dio, me dijo que si alguna vez le pasaba algo que quería que a toda costa se publicaran las cartas que le escribió al que fue su marido… y es una correspondencia en donde ella muestra su debilidad, su necesidad de amor, da la imagen de ser una rogona…

-Y tú lo publicaste…

-Bueno ella me dijo que había que publicarla…

-¿Y cómo lo publicaste…? ¿o sea, en qué editorial o cómo?

-En Conaculta, pero ahorita yo creo que ya se ha publicado todo lo que ella escribió.

-El marido te odió seguramente…

-Sí, es el ser, fue el ser más despreciable, uno de los seres más despreciables que me haya sido dado a conocer.

-¡Qué cosas! Oye Raúl y, cambiando de tema, ¿conociste a Juan Rulfo…?

-No lo conocí, lo vi varias veces, pero era un hombre excesivamente tímido, muy hermético, muy inseguro, no le gustaba, emprender lazos de amistad con la gente y generalmente rehuía hablar de sí mismo era todo lo más opuesto a un hombre como Arreola, que era…

-Sí, muy extrovertido ¿verdad?

-Completamente extrovertido,

-¿Y a él, qué tal? ¿cómo lo conociste?

-A él lo conocí desde la época en que hacíamos una compañía de teatro que se formó en la universidad…

-¿Eran profesores los dos en la UNAM?

-No, en aquella época no daba clases sino que actuaba y dirigía, era un hombre teatral completamente, era un hombre muy chistoso… yo lo invité a Londres y fue uno de los viajes que más pudo disfrutar en su vida, fue un hombre que no había estado nunca en Inglaterra, fuimos en el año del 90, él viajaba siempre con alguno de sus hijos porque sufría un tipo de neurosis que le angustiaba estar sólo o en un lado desconocido

-Pero no se angustió en Londres

-No, no, no, sobre todo porque yo lo puse en contacto con mucha gente, y lo paseé por muchos lados, aunque la fraternidad que sentía en Europa más cerca a su manera de ser de la confianza que no conocía el inglés pero conocía muy bien el francés y cierto tipo de poesía francesa, la más selecta, nunca tuvo un acento impecable pero hablaba muy bien…

-¿Conociste a Traven?

-No nunca. Conocía muy bien a Ionesco, lo traté mucho, lo llevé a la universidad a dar una serie de conferencias, conocía Graham Green…

-¿Ah y qué te decía Green?

-Era un hombre de lo más directo, no se andaba con rodeos de ninguna manera.

-¿Oye y Green te habló algo sobre Lowry?

-Sí, lo respetaba mucho como escritor, lo conocía, lo admiraba primero por el grupo de W.H. Auden y… pero es extraño, Lowry no es lo suficientemente apreciado en Inglaterra, aunque tú sabes que en Estados Unidos El Volcán es una de las obras que los jóvenes tienen que leer en las universidades,

-Oye Raúl ¿y que nos dices esa foto que tienes con María Felix?

-Sí, estábamos en la casa del que era secretario de gobernación, Mario Moya Palencia, en Cuernavaca,

-Y que te decía “La Doña”

-Sí, en esa foto, verás que está enseñando el puño… me pidió que le dijera que quería decir una palabra que algún admirador le había incluido en una carta que traía ella ahí en el bolsillo y la palabra era montgolfier y le dije montgolfier es muy fácil María, se trata de los globos cautivos que inventaron los hermanos Montgolfier justo antes de la Revolución Francesa y entonces me dijo: “¡estás inventando tarugadas! ¡Tú no sabes absolutamente nada!”, y yo le dije efectivamente no sé absolutamente nada, aunque no veo por qué tú me preguntas lo que equivale a un producto contemporáneo a tu nacimiento que fueron los globos de Cantoya y entonces ahí fue donde… y no se volvió a meter conmigo…

(risas)

-Así que tú tampoco te andabas con cosas ¿verdad?

-De ninguna manera, de ninguna manera, yo no me dejo de ningún… de nadie…

-Pero conservaste la foto

-Me la dio un fotógrafo que estaba fumando ahí, entonces…, aquella comida fue muy memorable porque uno de los invitados era el “obispón rojo” Don Sergio Méndez Arceo, que fue el obispo de izquierda más violento en la época del evangelio de la liberación… así le puso una de las mujeres más ingeniosas pero más cáusticas, una gran poetisa autora de sonetos perfectos que se llamó Margarita Michelena. Margarita era una mujer de ideología completamente de derecha y le puso el “obispón rojo”

-¿Y cómo es que un abogado se convirtió en literato?

-Yo no soy un literato ni soy un abogado, soy titulo sin abogado, porque estudié mi carrera y la terminé con muy buenos promedios, fui brillante alumno de la Facultad de Derecho y en cuanto terminé mi tesis y mi examen profesional guardé la mención honorífica y el título en una caja fuerte y ahí está, después de eso me fui a vivir a Francia con una beca y luego regresé y trabajé en la universidad donde nació el gran cariño y la gran amistad entre Rosario y yo, me ufano de haber sido el mejor amigo de Rosario y así me lo dice ella en su última carta, pero cuando llegas a determinada edad Alberto, todo se vuelve recuerdos y te sientes que está lloviendo, tienes los pasos en la azotea y dices cuándo acabará esto, porque mucha de la gente a quienes has querido, o están muy enfermas o ya están en otra dimensión, ahorita como te darás cuenta estoy viviendo el duelo de dos criaturas que fueron compañeras mías durante muchos años y a pesar de estar enfermo con una enfermedad seria, incurable, tengo que seguir trabajando si quiero seguir viviendo como lo he hecho siempre, hasta ahorita no he tenido que deber dinero a nadie y el día que no tenga pues malbarataré mis colecciones de discos y de libros… yo quisiera que alguien me los comprara para que quedara junto el testimonio más importante, que a mí me interesa aunque a la demás gente no, porque esto soy yo, y el día menos pensado puede estar desperdigado en las banquetas de la lagunilla y cosas así por el estilo.

-Pues sería fabuloso Raúl, pero imagínate, ¡es una fortuna…!

-Es una fortuna haber vivido tantos años y poder conocer y demostrar… no, de demostrar no, pero de haber tenido la oportunidad de conseguir lo que nunca hubiera sospechado que pudiera conseguir, mira cuando tenía 17 años y ahorita lo estaba pensando, llegó a mis manos un programa del festival de Bayreuth en Alemania cuando se volvió a, cuando se reconstruyó el teatro de Wagner y sus hijos, sus nietos reanudaron el festival que en la época de Hitler había sido un nido de nazis porque la nuera de Wagner que era inglesa, era una nazi, alojaba al Führer cuando se inauguraba el festival, entonces ahorita que estuvimos viendo la Martiria, yo tuve la fortuna de ir dos veces a Bayreuth al festival y cuando me llegó aquí el programa cuando tenía 16-17 años, decía yo cuando podré ir a… y todo más o menos se me ha ido concediendo…

-Sí con un poco de suerte y mucho trabajo ¿no, Raúl?

-Caen las cosas, van cayend.

-Sí, afortunadamente algo parecido me ha sucedido a mí, he tenido suerte…

-¿Donde trabajas?

-En el IEMS y en la UACM, pero trabajaba en la prepa 4...

-¿Dónde está esa?

-Está en Tacubaya,

-La que está por donde está el observatorio.

-Sí, como a una cuadra.

-Por ahí tengo una foto de la inauguración de la prepa, estaba López Mateos, el Dr. Chávez y yo...

-Fue hace como sesenta años, ¿no?

-Fue en 1963 cuando se inauguró

-Tienes una memoria privilegiada Raúl

-Pues ya ves que me está fallando, no me acordé del grupo teatral, pero el que primero escribió un ensayo muy elogioso sobre el volcán fue Stephen Spender , también un gran poeta a quien conocí muy brevemente en Londres, poco tiempo antes de que muriera, le conocí en la casa de Hugh Thomas, él es el historiador más respetado sobre la guerra civil española, era un hombre de izquierda cuando tenía 40 años y escribió entre muchas otras cosas una historia de la guerra civil española, sí muy de izquierda, pero pudo compaginar los puntos de vista y las fuentes de ambas partes y ahora es un hombre de extrema derecha, tiene un título de nobleza que le concedió la reina y es consejero de la corona de no sé que cosa.

-Pues qué lástima que hayamos perdido a un compañero (risas)…

-No, es un hombre abierto de opiniones… también conocí brevemente a Tito cuando vino a México con Giovanca, no se había divorciado o separado de ella, conozco muy bien a Fernando Vallejo, que creo que es un espléndido escritor pero…

-¿Oye y de políticos quien te cae mejor?

-Ninguno

-Pero de antes, tampoco ninguno te simpatiza Raúl?

-No

-Y siempre has vivido aquí Raúl?

-Sí, la primera escuela que fui se llamaba el Liceo Francés que estaba en la calle de Xalapa, luego fui al colegio México en la calle de Mérida, luego me mandaron por indisciplinado a la academia militar…

(risas)

-Pero te les escapabas, no?

-Terrible fue, una cosa muy fuerte, les parecía un bicho raro que me gustaba tanto la lectura y la música, y ahí había que ser muy macho y jugar futbol que detestaba yo…

Raúl Ortiz presenta libro

lunes, 25 de abril de 2011

The volcano is dark

The volcano is dark, and suddenly thunder
Engulfs the haciendas.
In this darkness, I think of men in the act of procreating,
Winged, stooping, Kneeling, sitting down, standing up,
sprawling,
Millions of trillions of billions of men moaning,
And the hand of the eternal woman flung aside.
I see their organ frozen into a gigantic rock,
Shattered now...
And the cries which might be the groans of the dying
Or the groans of love.

Malcolm Lowry



Le volcan est noir et soudain
le tonnerre englobe les haciendas.
Dans cette obscurité,
je pense aux hommes qui sont en train de procréer,
ailés, voûtés, à genoux, assis, debout, allongés,
Des millions de trillions de billions d'hommes gémissant,
Tandis que la main de la femme éternelle les balaye.
Je vois leur organe congelé en une roche gigantesque,
pulvérisée maintenant...
Et ces cris qui pourraient être les plaintes des moribonds ou
les gémissements de l'amour.

Malcolm Lowry



Está negro el volcán, y un trueno engulle
las haciendas de pronto.
En esta oscuridad pienso en hombres
que viven el acto de la procreación:
agachados, de pie, sentados,
de rodillas, extendidos, alados,
cientos de miles de millones de hombres gimiendo
mientras cae a un lado la mano de la mujer eterna.
Miro sus órganos congelados
desmoronándose en una roca gigantesca.
Y esos lamentos que son
no sé si quejas de los moribundos
o los gemidos del amor...

Malcolm Lowry


Está negro o vulcão e de repente um trovão submerge as haciendas.
Nesta escuridão penso nos homens que vivem o acto da procriação.
Com asas, inclinados, de joelhos, sentados, de pé, estatelados.
Milhões de triliões de biliões de homens gemendo, enquanto a seu lado cai a mão da mulher eterna.
Observo os seus órgãos congelados numa rocha gigantesca
Desmoronando-se agora…
E os gritos podem ser queixas de moribundos ou gemidos de amor.

Malcolm Lowry



La versión en francés de "The volcano is dark" es de Dany Hurpin.
La versión en español, es de Félix García, lo mismo que las fotografías del Popocatépetl.
La versión en portugués de "The volcano is dark" es de Marcelo Teixeira.

domingo, 24 de abril de 2011

EM REDOR DE «DEBAIXO DO VULCÃO»

No próximo dia 28, Malcolm Lowry faria 100 anos. Em vida publicou apenas duas obras, mas isso não impede que este autor inglês seja hoje considerado um dos maiores escritores do século vinte e que «Debaixo do Vulcão», a sua obra maior, figure nas mais variadas listas de leituras obrigatórias – casos da revista «Time», do jornal «Le Monde» ou da Modern Library. Mas o que tem de diferente «Debaixo do Vulcão»? A complexidade e a descrição prodigiosa dos sentimentos e dos estados de alma? A amplitude e erudição das referências? A capacidade metafórica? A sistemática recusa de publicação por parte dos editores? A categorização do desespero? A força do seu simbolismo? Os excessos e os delírios do cônsul? O misticismo da sua arquitectura narrativa? Tudo isso e muito, muito mais, servido por uma história aparentemente simples: certa manhã, Yvonne regressa a Quauhnahuac para tentar a reconciliação com Geoffrey Firmin, ex-cônsul inglês naquela cidade mexicana, encontrando o marido dominado pelo consumo excessivo de álcool, num processo de autodestruição acelerada. Doze horas depois, o casal deixou de pertencer ao mundo dos vivos; a Literatura ganha uma bela história de amor, intensa, trágica e complexa. Imortal. A obra adquiriu uma veneração pouco comum, cedendo o nome a festivais de música, bares e tabernas, blogues e páginas pessoais na internet, “workshops” de escrita criativa ou cooperativas de apicultores, constituindo um grupo de admiradores cuja devoção se manifesta de múltiplas formas.

Em Portugal, «Debaixo do Vulcão» foi publicado em 1965 (dezoito anos depois da sua edição nos Estados Unidos e em Inglaterra) e não suscitou interesse senão num círculo restrito de leitores, que o comentavam em tertúlias. Manuel Gusmão é seu admirador confesso, também Baptista-Bastos, que o recebeu das mãos de Carlos de Oliveira, autor que lhe presta homenagem com o poema “Debaixo do Vulcão”, incluído no livro «Micropaisagem», em 1968. Também outros poetas lhe dedicam atenção: Herberto Helder “muda” alguns poemas para português, Al Berto dedica a Lowry cinco “cartas inúteis” no «Diário de Notícias» de 13 de Janeiro de 1985 e evocá-lo-á, anos mais tarde, em «O Anjo Mudo». Uma década depois, José Agostinho Baptista, poeta e tradutor e admirador de Malcolm Lowry, publica «Debaixo do Azul sobre o Vulcão», texto intenso que percorre sentimentalmente toda a geografia do México, sobre a qual vai pairando a sombra dos ambientes e das personagens de «Debaixo do Vulcão». Em 2000, Manuel de Freitas rende homenagem com a publicação de «Todos contentes e eu também» (nome de uma taberna em Tomalín que aparece no final do capítulo IX do livro de Lowry), que, além da epígrafe de abertura, contém os poemas “El Farolito”, o mais famoso antro do livro, e “Gusano Rojo”, uma das inúmeras bebidas que Geoffrey Firmin ingere ao longo da obra. O tributo continuaria no ano seguinte com “Gloomy Sunday” e “Whiskey on a Sunday”, do seu novo livro – «Os Paraísos Artificiais». No México, país onde «Debaixo do Vulcão» é particularmente apreciado, recebeu a aclamação de Octavio Paz, Carlos Fuentes e José Emilio Pacheco, que venceu em 1991 do Prémio de Ensaio Malcolm Lowry e não resistiu a traduzir poemas do autor inglês. Neste país, Roberto Bolaño escreveu «Os Detectives Selvagens», que leva uma epígrafe do livro de Lowry. “A frase nunca dita”, conto de Alicia Giménez Bartlett incluído na colectânea «O teu nome flutuando num adeus», publicado em Portugal no ano passado, assenta a história num casal que segue os passos de Lowry até Cuernavaca em demanda do El Farolito, que, ao contrário do que se passa na narrativa, nunca existiu naquela cidade mas em Oaxaca. Jean-Paul Sartre também admirava a obra, tal como o seu compatriota Olivier Rolin, que passou há poucas semanas por Portugal antes de regressar a França para participar num colóquio evocativo do centenário de Malcolm Lowry. O irmão, Jean Rolin, publicou recentemente «Un Chien Mort Après Lui», título retirado da última frase de «Debaixo do Vulcão». Uma plena compreensão desta obra não é possível sem a leitura de «A Companion to Under the Volcano». Para a escrever, um dos autores, o neo-zelandês Chris Ackerley, viveu alguns meses em Cuernavaca a reconstituir os passos de Malcolm Lowry.

A adaptação do livro para a Sétima Arte sempre constituiu uma tentação e dava, por si… um filme. Muitos realizadores a tentaram, com o apoio de reconhecidos escritores. Guillermo Cabrera Infante escreveu um primeiro guião para o realizador Joseph Losey, prontamente recusado por ter assinado com o pseudónimo G. Caín, parecido em demasia a Michael Caine, considerado por Losey actor menor. Sorte diferente não tiveram os guiões de Gabriel García Márquez, Carlos Fuentes e Luis Buñuel (que considerava não ser provável filmar o que vai na alma de uma pessoa) ou os realizadores Jules Dassin e Ken Russell. Nos bastidores, actores como Jack Nicholson, Richard Burton ou Robert Shaw não escondiam a sua vontade de representar o papel de Geoffrey Firmin. Por fim, John Huston, que analisara já inúmeros guiões, teve conhecimento de que Guy Gallo, um jovem estudante de Yale que nunca trabalhara em cinema, lograra fazer em apenas sete dias o que ninguém conseguira em 30 anos. Apaixonado pelo México, John Huston conhecera Lowry em Cuernavaca e ocuparia durante as filmagens a casa que o escritor alugara, hoje transformada no Hotel Bajo el volcán, na Calle Humboldt, a célebre Nicaragua do livro. Com Albert Finney e Jacqueline Bisset nos principais papéis, «Debaixo do Vulcão» foi filmado no México e chegou às salas de cinema 1984. Filme mal-amado pelos admiradores do livro, é considerada, apesar da brilhante interpretação de Finney, uma das obras menores de John Huston, autor dos aclamados «O Tesouro da Sierra Madre» ou «A Noite da Iguana». Por autorizar a adaptação, Margerie Bonner, viúva de Malcolm Lowry, recebeu 350 mil dólares. «Mezcal», do mexicano Ignacio Ortiz, não constitui uma adaptação da obra de Lowry, mas dela recebe a inspiração para criar uma história sobre um grupo de pessoas perseguidas pela culpa, pelo desamor e pelo desejo de vingança, que se encontram casualmente um dia no bar El Farolito, em Parián, para com a ajuda de mescal aliviar a dor que transportam. Nos Ariel Awards do México, «Mezcal» foi galardoado com 6 prémios, incluindo o de melhor filme, tendo sido também bastante condecorado em festivais internacionais.

A obra-prima de Malcolm Lowry motivou igualmente a realização de vários documentários. Em 1976, o National Film Board of Canada, país onde Malcolm Lowry viveu alguns anos, produziu «Volcano: An Inquiry Into the Life and Death of Malcolm Lowry». Realizado por Donald Brittain e John Kramer, tem a participação de Richard Burton e ganharia seis prémios naquele país (incluindo o de melhor documentário) e vários no estrangeiro. Em 1988, Óscar Menéndez realizou «Malcolm Lowry en México», documentário que recupera os passos do escritor naquele país. Trabalho intenso, resgata uma Cuernavaca paradisíaca e infernal e reinventa o ambiente que inspirou «Debaixo do Vulcão». Este documentário foi galardoado com o Prémio de Melhor Fotografia e Investigação Literária da Primeira Bienal de Vídeo.

Em 1981, a canadiana Listen for Pleasure edita em duas cassetes «Debaixo do Vulcão», com narração do actor inglês Christopher Cazenove. A partir de Abril de 2009, é editada uma nova versão em MP3, com duas horas e cinquenta e quatro minutos. Em Março de 1988, a DH Audio edita em 3 audiocassetes uma versão narrada por Nick Ullett, actor inglês naturalizado norte-americano que integrara, entre outros, o elenco de «Um vagabundo na alta-roda». Com a duração de três horas e 45 minutos, a Phoenix Audio editaria em 1997 a mesma gravação em versão “audiobook”. Já em 2009, A Blackstone associa-se também às comemorações do centenário do escritor editando uma versão de John Lee, que antes dera voz a obras de Jack London e de Kazuo Ishiguro.

A música também prestou homenagem ao livro de Malcolm Lowry. Depois de abandonar os Cream (que fundara em 1966 com Eric Clapton), Jack Bruce inicia em 1971 uma carreira a solo com o álbum «Harmony Row». Uma das faixas, “The Consul at sunset”, é inspirada na personagem de Geoffrey Firmin. O multi-instrumentista francês Bernard Lubat (companhia por diversas vezes de Jean-Luc Ponty ou Stan Getz), edita em 1974 «Au Bon Livre (ode to Malcolm Lowry)». Na Primavera de 1998, em Berlim, um grupo seduzia os clubes nocturnos. Utilizando instrumentos pouco convencionais, a banda Malcolm Lowry apostava numa sonoridade melancólica, servida por uma voz profunda que falava de descaracterização da vida urbana, da efemeridade das relações da solidão e do amor não correspondido. Em Agosto do ano seguinte gravaria um único disco antes de se dissolver. O conhecido interesse de Malcolm Lowry pela música e, em particular, pelo jazz levou um grupo de músicos dirigidos por Graham Collier a associarem-se e a editarem um disco de homenagem. Surgiu, assim, em 1978 o duplo LP «The Day of the Dead». Por detrás das composições musicais, palavras de diversas obras do autor inglês dão corpo a um disco original, levando Raúl Ortiz y Ortiz, aclamado tradutor de «Debaixo do Vulcão» para espanhol, a dizer que “não só capta e expressa fielmente uma interpretação pessoal dos conflitos existenciais da obra, como evoca também o paradoxo entre a alegria e a tristeza do Dia dos Mortos no meu país”. Em 2001 foi comercializada uma versão em CD.

Em 1947, Fletcher Markle, actor e realizador (e adaptador não reconhecido de «A Dama de Xangai», de Orson Welles), apresentou na CBS Radio uma adaptação radiofónica de «Debaixo do Vulcão» e Graham Collier (que dirigira «The Day of the Dead») faria o mesmo para uma versão de teatro radiofónico («Hi-Fi Theatre»). Durante noventa minutos, a BBC transmitiu a peça no programa «Monday Play», no dia 12 de Março de 1979. Mais recentemente, a companhia de Laurent Gutmann, director francês de teatro (e encenador de peças de escritores como Genet, Duras, Gorki ou Brecht) levou à cena uma nova adaptação – “Je Suis Tombé”.

Também o campo da pintura tem recebido inspiração. No México, particularmente, tem entusiasmado artistas a transpor para a tela a frustrada relação do cônsul com Yvonne Firmin. Alberto Gironella, pintor e poeta de origem catalã que dedicou parte da obra a interpretar liricamente a simbologia do álcool, do amor e da loucura do romance, é o autor do mural “El Viacrucis del Cónsul”, que a última edição mexicana de «Debaixo do Vulcão» tem na capa. Recentemente, foi inaugurada a Sala Alberto Gironella no Jardim Borda, em Cuernavaca, que receberá trabalhos do pintor inspirados naquela obra. Na mesma cidade, em 2006, artistas de vários países estiveram presentes na “Quauhnauhuac – The Straight Line is a Utopia”, frase retirada do livro que deu nome à exposição. O imaginário do livro inspirou também o artista Daniel Lezama a pintar “La Muerte de Empédocles”. Realizado para o restaurante Glória, antiga “pulqueria” na Cidade do México, o quadro reconstitui um ambiente de taberna, do qual sobressaem Mayahuel (deusa asteca do agave, a partir do qual são produzidos o mescal e o “tequila”) e um homem sentado no chão – Phil Kelly, reconhecido pintor irlandês que trocou a pátria pelo México e que, como Lowry, partilhava o gosto pelas bebidas mexicanas, mas também Empédocles/Geoffrey Firmin, o malogrado cônsul. Ao fundo, um vulcão, o Etna, onde o filósofo grego se suicidou, mas também, naturalmente, o Popocatépetl, de «Debaixo do Vulcão».

A viver no México há mais de quarenta anos, o holandês Bob Schalkwijk prolonga a tradição dos fotógrafos que sentiram o apelo da paisagem física e humana daquele país. O seu trabalho «El volcán de Quauhnahuac», que recria o ambiente em que decorre «Debaixo do Vulcão», juntou-se aos realizados sobre os índios tarahumaras ou lacandones, que lhe trouxeram renome internacional.

Não podia faltar, entre os imensos admiradores da obra, quem considerasse que a trágica história de Geoffrey e Yvonne tenha motivado demasiada “inspiração” a outros escritores. O colombiano Ivan Garcia Palacios sustenta que o livro de Lowry serviu de inspiração aos «Cem Anos de Solidão», de Gabriel García Márquez. No seu blogue dedicado ao assunto, expõe os argumentos, comparando excertos das duas obras, analisando cuidadosamente entrevistas do compatriota, ligando discursos e depoimentos de Carlos Fuentes, comparando datas e a coincidência de alguns acontecimentos. A prova de que uma admiração desmedida se sobrepõe a uma análise lúcida ou a verdade finalmente descoberta e revelada? Analise (e decida) o leitor por si próprio em http://geneticaliteraria.blogspot.com.

«Debaixo do Vulcão» continua, 62 anos após a sua publicação, a reunir fiéis, a incentivar estudos, a fascinar novos leitores. Quando o livro foi editado em Espanha, Jorge Semprun afirmou ser necessário obrigar os que não conhecem o romance a lê-lo e relê-lo e Cabrera Infante defendeu que, por muitos leitores que tenha, nunca terá bastantes. O centenário de Malcolm Lowry constitui um pretexto renovado para ler, ou reler, a trágica história de Geoffrey Firmin e de Yvonne. Também por essa razão, no próximo dia 28 de Julho, Malcolm Lowry, mais do que outro escritor, merece um brinde. “Salud, Malcolm!”

Marcelo Teixeira, Lisboa, 2009





AL REDEDOR DE BAJO EL VOLCÁN

El próximo 28, Malcolm Lowry cumpliría cien años. En vida publicó solamente dos obras, pero eso no impide que este autor inglés sea hoy considerado uno de los mayores escritores del siglo XX y que Bajo el volcán, su obra mayor, figure entre las más variadas listas de lecturas obligatorias, como es el caso de la revista Time, el periódico Le Monde y la Modern Library. Ahora bien, ¿qué tiene de diferente Bajo el volcán? ¿La complejidad y la descripción prodigiosa de las sensaciones y de los estados del alma? ¿La amplitud y la erudición de las referencias? ¿La capacidad metafórica? ¿La denegación sistemática de la publicación por parte de los editores? ¿La categorización de la desesperación? ¿La fuerza de su simbolismo? ¿Los excesos y los delirios del Cónsul? ¿El misticismo de su arquitectura narrativa? Todo eso y mucho, mucho más, presentado en una historia aparentemente simple: cierta mañana Yvonne regresa a Quauhnáhuac para tratar de reconciliarse con Geoffrey Firmin, exCónsul inglés en aquella ciudad mexicana, en un proceso de autodestrucción acelerada. Doce horas después, ambos dejaron de pertenecer al mundo de los vivos. La literatura gana una bella historia de amor, intensa, trágica y compleja. Inmortal. La obra adquirió una veneración poco común, cediendo nombre a festivales de música, cantinas y tabernas, blogs y páginas de Internet, workshops de escritura creativa o cooperativas de apicultores, constituyendo un grupo de admiradores cuya devoción se expresa de múltiples formas.

En Portugal, Bajo el volcán fue publicada en 1965 (dieciocho años después de su edición en Estados Unidos e Inglaterra), y no suscitó interés sino en un círculo restringido de lectores que lo comentaban en tertulias. Manuel Gusmão es su admirador confeso, también Baptista-Bastos, que recibió la novela de manos de Carlos de Oliveira, autor que le brinda un homenaje con el poema “Debaixo do Vulcão”, incluido en el libro Micropaisagem, en 1968. También otros poetas le dedican atención: Herberto Helder traduce algunos poemas de Lowry al portugués, Al Berto dedica a Lowry cinco “cartas inúteis” en el Diário de Notícias del 13 de enero de 1985 y lo evocará, años más tarde, en O Anjo Mudo. Una década después, José Agostinho Baptista, poeta y traductor y admirador de Malcolm Lowry, publica Debaixo do Azul sobre o Vulcão, texto intenso que cubre sentimentalmente toda la geografía de México, sobre la cual va pasando la sombra y los ambientes de los personajes de Bajo el volcán. En el 2000, Manuel de Freitas le rinde homenaje con la publicación de Todos contentes e eu também (nombre de una cantina de Tomalín que aparece al final del capítulo IX de libro de Lowry), eso, además del epígrafe, contiene los poemas “El Fartolito”, la cantina más famosa del libro, y “Gusano Rojo”, una de las innumerables bebidas que Geoffrey Firmin bebe a lo largo del libro. El tributo continuaría al año siguiente con “Gloomy Sunday” y “Whiskey on a Sunday”, de su nuevo libro: Os Paraísos Artificiais. En México, país donde Bajo el volcán es particularmente apreciado, recibió la aclamación de Octavio Paz, Carlos Fuentes y José Emilio Pacheco, que ganó, en 1991, el Premio de Ensayo Malcolm Lowry, y no se resistió a traducir algunos poemas del autor inglés. En México, Roberto Bolaño escribió Los detectives salvajes, que lleva un epígrafe de Lowry. “A frase nunca dita”, cuento de Alicia Giménez Bartlett incluido en el colectivo O teu nome flutuando num adeus, publicado en Portugal el año pasado, cuenta la historia de un personaje que sigue los pasos de Lowry en Cuernavaca buscando El Farolito, que, al contrario de lo que pasa en la novela, nunca existió allí, pero sí en Oaxaca. Jean-Paul Sartre también admiraba la obra, como su compatriota Olivier Rolin, que pasó hace pocas semanas por Portugal en su regreso a Francia para participar en el coloquio evocativo del centenario de Malcolm Lowry. Su hermano Jean Rolin publicó recientemente Un Chien Mort Après Lui, título tomado de la última frase de Bajo el volcán. Una comprensión completa de esta obra es imposible sin la lectura de A Companion to Under the Volcano. Para escribirlo, el autor, el neo-zelandés Chris Ackerley, vivió algunos meses en Cuernavaca a fin de reconstruir los pasos de Malcolm Lowry.

La adaptación del libro al séptimo arte constituyó siempre una tentación y daba por sí mismo para una película. Muchos realizadores lo habían intentado, con la ayuda de reconocidos escritores. Guillermo Cabrera Infante escribió un guión para el realizador Joseph Losey, que fue rechazado por tener como pseudónimo G. Caín, muy parecido a Michael Caine, quien era considerado por Losey un actor menor. No tuvieron mejor suerte los guiones de Gabriel García Márquez, Carlos Fuentes y Luis Buñuel (quien consideraba imposible filmar lo que está en el alma de una persona) o de los realizadores Jules Dassin y Ken Russell. Tras bambalinas, actores como Jack Nicholson, Richard Burton o Robert Shaw, no escondían su deseo de representar el papel de Geoffrey Firmin. Por fin, John Huston, que estudiara innumerables guiones, supo que Guy Gallo, un joven estudiante de Yale que nunca había trabajado en el cine, había logrado hacer en siete días lo que nadie consiguió en 30 años. Apasionado por México, John Huston conocería a Lowry en Cuernavaca y ocuparía, durante las filmaciones, la casa que el escritor alquilara, hoy transformada en “Hotel Bajo el Volcán” en la calle Humboldt, la célebre Nicaragua del libro. Con Albert Finney y Jacqueline Bisset en los papeles principales, Bajo el volcán fue filmado en México y llegó a las salas de cine en 1984. Película desdeñada por los admiradores del libro, es considerada, a pesar de la excelente actuación de Finney, una de las obras menores de John Huston, autor de las reconocidas cintas: El tesoro de la sierra madre y La noche de la iguana. Por autorizar la adaptación, Margerie Bonner, la viuda de Malcolm Lowry, recibió 350 mil dólares. Mezcal, del mexicano Ignacio Ortiz, no es una adaptación de la obra de Lowry, pero recibe de ella la inspiración de hacer una historia sobre un grupo de personas que perseguidas por la culpa, por el desamor y el deseo de venganza, se encuentran casualmente un día en el bar El Farolito, en Parián, para aliviar su dolor con la ayuda del mezcal. En los Premios Ariel de México, Mezcal, recibió seis premios, incluido “mejor filme”, y también fue condecorado en varios festivales internacionales.

La obra maestra de Malcolm Lowry también motivó la realización de varios documentales. En 1976, la National Film Board of Canada, país donde Malcolm Lowry vivió algunos años, produjo Volcano: An Inquiry Into the Life and Death of Malcolm Lowry. Realizado por Donald Brittain y John Kramer, con la participación de Richard Burton, ganaría seis premios en aquel país (incluido el de “mejor documental”) y varios en el extranjero. En 1988, Óscar Menéndez realizó Malcolm Lowry en México, documental que recupera los pasos del escritor en aquel país. Trabajo intenso, rescata una Cuernavaca paradisíaca e infernal, y reinventa el ambiente que inspiró Bajo el volcán. Este documental fue galardonado con el premio a la mejor fotografía e investigación literaria en la Primera Bienal de Video.

En 1981, la canadiense Listen for Pleasure, editó Bajo el volcán en dos casetes, con la voz del actor inglés Christopher Cazenove. A partir de abril de 2009, fue editada una nueva versión en MP3, con dos horas cincuenta y cuatro minutos de duración. En marzo de 1988, DH Audio edita en tres casetes una versión narrada por Nick Ullett, actor inglés naturalizado norteamericano que integró, entre otros, el elenco de “Um vagabundo na alta-roda”. Con duración de tres horas cuarenta y cinco minutos, Phoenix Audio editaría en 1997 la misma grabación en versión audiobook. En 2009, Blackstone se asocia a las conmemoraciones del centenario del escritor, editando una versión de John Lee, que antes dio voz a las obras de Jack London y de Kasuo Ishiguro.

La música también brindó homenaje al libro de Malcolm Lowry. Después de abandonar Cream (que fundó en 1966 con Eric Clapton), Jack Bruce inició en 1971 una carrera de solista con el álbum Harmony Row. Una de sus piezas, “The Consul at sunset”, está inspirada en el personaje de Geoffrey Firmin. El multiinstrumentista francés Bernard Lubat (varias veces compañero de Jean-Luc Ponty en Stan Getz), editó en 1974 Au Bon Livre (ode to Malcolm Lowry). En la primavera de 1998, en Berlín, un grupo sedujo los clubs nocturnos. Utilizando instrumentos poco convencionales, la banda Malcolm Lowry apostaba a una sonoridad melancólica, usando una voz profunda que hablaba de la despersonalización de la vida urbana, de lo efímero de las relaciones, de la soledad y del amor no correspondido. En agosto del año siguiente grabaría un único disco antes de desintegrarse. El sabido interés de Malcolm Lowry por la música y, en particular, por el jazz llevó a un grupo de músicos dirigidos por Graham Collier a asociarse y a editar un disco de homenaje. Surgió así, en 1978, el LP doble The Day of the Dead. Por atrás de las composiciones musicales, palabras de diversas obras del autor ingles dan cuerpo a un disco original, llevando a Raúl Ortiz y Ortiz, aclamado traductor de Bajo el volcán al español, a decir que “no sólo capta y expresa fielmente una interpretación personal de los conflictos existenciales de la obra, evoca también la paradoja entre la alegría y la tristeza del Día de Muertos en mi país”. En 2001 fue comercializada una versión en CD.

En 1947, Fletcher Markle, actor y realizador (y adaptador no reconocido de A Dama de Xangai, de Orson Welles), presentó en CBS Radio una adaptación radiofónica de Bajo el volcán y Graham Collier (que dirigía «The Day of the Dead») habría lo mismo para una versión de teatro radiofónico («Hi-Fi Theatre»). Durante noventa minutos, la BBC transmitió la pieza en el programa «Monday Play», el día 12 de marzo de 1979. Más recientemente, la compañía de Laurent Gutmann, director francés de teatro (y escenificador de piezas de escritores como Genet, Duras, Gorki o Brecht) llevó a escena una nueva adaptación: “Je Suis Tombé”.

El campo de la pintura también ha recibido su inspiración. En México, particularmente, hay artistas entusiasmados por transportar a la tela la frustrada relación del Cónsul con Yvonne Firmin. Alberto Gironella, pintor y poeta de origen catalán, dedicó parte de su obra a interpretar líricamente la simbología del alcohol, del amor y de la locura del romance, es el autor del mural “El Viacrucis del Cónsul”, que la última edición mexicana de Bajo el volcán tiene en la portada. Recientemente fue inaugurada la sala Alberto Gironella en el Jardín Borda, en Cuernavaca, que recibirá trabajos del pintor inspirados en aquella obra. En esa misma ciudad, en 2006, artistas de varios países estuvieron presentes en “Quauhnáuhuac – The Straight Line is a Utopia”, frase tomada del libro que dio nombre a la exposición. El imaginario del libro inspiró también a Daniel Lezama a pintar “La Muerte de Empédocles”. Realizado para el restaurante Gloria, antigua “pulquería” de la Ciudad de México, el cuadro recrea un ambiente de cantina donde sobresalen Mayahuel (diosa azteca del agave, a partir del cual se producen el mezcal y el tequila) y un hombre sentado en el suelo, Phil Kelly, reconocido pintor irlandés que cambió su patria por México y que, como Lowry, participaba del gusto por las bebidas mexicanas, y también Empédocles/Geoffrey Firmin, el Cónsul maltratado. En el fondo, un volcán, el Etna, donde el filósofo griego se suicidó, pero también, naturalmente, el Popocatepetl de Bajo el volcán.

Al vivir en México por más de cuarenta años, el holandés Bob Schalkwijk, continúa con la tradición de los fotógrafos que sentirán el peso del paisaje físico y humano de aquel país. Su trabajo, «El volcán de Quauhnáhuac», recrea el ambiente en que transcurre Bajo el volcán, uniendo sus trabajos sobre los indios tarahumaras y los lacandones, que le dieron renombre internacional.

No podría faltar, entre los extraordinarios admiradores de la obra, quien considerase que la trágica historia de Geoffrey e Yvonne ha inspirado “exageradamente” a algunos escritores. El colombiano Iván García Palacios sostiene que el libro de Lowry sirvió de inspiración a Cien años de soledad de Gabriel García Márquez. En su blog dedicado al tema, expone los argumentos, comparando párrafos de las dos obras, analizando cuidadosamente las entrevistas de su compatriota, ligando discursos y declaraciones de Carlos Fuentes y comparando datos y coincidencias de algunos acontecimientos. ¿Prueba eso que una admiración desmedida se sobrepone al análisis lúcido o es finalmente una verdad descubierta y revelada? Estudie (y decida) el lector por sí mismo en: http://geneticaliteraria.blogspot.com.

Bajo el volcán continúa, 62 años después de su publicación, juntando fieles, incentivando estudios, fascinando a nuevos lectores. Cuando el libro fue editado en España, Jorge Semprun afirmó que era necesario obligar a quienes no conocen el romance, a leerlo y releerlo y Cabrera Infante dijo que por muchos lectores que tenga, nunca tendrá bastantes. El centenario de Malcolm Lowry constituye un pretexto renovado para leer o releer la trágica historia de Geoffrey Firmin y de Yvonne. También por esa razón el próximo día 28 de julio, Malcolm Lowry, más que ningún otro escritor, merece un brindis. “¡Salud, Malcolm!”

Marcelo Teixeira, Lisboa, 2009
Traducción de Félix García